A realização de um espetáculo para mais de 60 mil pessoas no Estádio do MorumBIS exige uma infraestrutura de proporções gigantescas. Quando os portões se abrem, o público presencia um show visualmente impactante e um som envolvente. Mas, por trás do espetáculo, opera um complexo ecossistema de engenharia e logística técnica. Para o show do BTS (RM, Jin, SUGA, j-hope, Jimin, V e Jungkook) no Morumbi a história não é diferente. São três apresentações: 28, 30 e 31. Ingressos esgotados.
Para superar a acústica aberta, o vento e a reflexão do som no concreto das arquibancadas, os engenheiros de áudio projetam um sistema de som robusto e estratégico. As caixas de som do PA Principal, por exemplo, suspensas verticalmente nas laterais do palco, funcionam como a fonte primária de áudio direcionada para a Pista Premium e para as arquibancadas centrais.
Caixas centrais cuidam do som de longo alcance
O formato em linha dessas caixas foca as ondas sonoras como um feixe, permitindo que a pressão sonora alcance longas distâncias sem perder força no ar. Complementando essa cobertura, as caixas de Outfills e Sidefills cobrem as zonas laterais das arquibancadas, garantindo que o público localizado nos cantos receba a mesma qualidade sonora do centro.
Mais ao fundo do gramado, as torres de delay reforçam o som para os anéis superiores. Como o som viaja a cerca de 343 metros por segundo, a equipe técnica aplica um atraso do sinal calculado em milissegundos nessas torres para que o som do palco e do meio do campo alcancem os ouvidos da plateia ao mesmo tempo.
Na base de todo esse sistema, os subwoofers reproduzem as frequências graves e subgraves, entregando a pressão física que faz o peito vibrar em cada batida.
Visual faz parte do som
No aspecto visual, os painéis de LED assumiram o papel de protagonista na cenografia. Módulos de LED de alta resolução encadeados em 360 graus garantem que 100% da plateia acompanhe as expressões dos artistas e os efeitos visuais, mesmo sob a luz do dia. Servidores de mídia e processadores de vídeo de alta performance gerenciam esses sinais para eliminar qualquer atraso entre a fala do artista e a imagem exibida nas telas.
A iluminação dita o ritmo e a emoção de cada bloco do show. Centenas de projetores robóticos, conhecidos como moving lights, movimentam-se em múltiplos eixos para desenhar feixes de luz no ar e iluminar o palco. A equipe de iluminação opera esses equipamentos a partir de mesas centrais, executando cenários dinâmicos que acompanham o ritmo das músicas. Para conectar a plateia ao espetáculo, refletores blinders lançam luz diretamente sobre o público nos momentos de interação, enquanto canhões de laser cortam o espaço aéreo e desenham formas geométricas sobre o estádio.
Quem é o maestro do show?
Toda essa tecnologia depende de uma estrutura invisível de sustentação e energia. A equipe de cenografia instala redes de treliças de alumínio suspensas por motores industriais de alta tonelagem, sustentando dezenas de toneladas de equipamentos acima do palco e liberando espaço para os artistas e para o público na pista. Para alimentar essa demanda de mais de dois Megawatts, a produção instala uma usina móvel de geradores a diesel no local. Esses geradores operam em pares sincronizados no modo redundante, o que garante que, caso um equipamento apresente falha, outro assuma a carga instantaneamente sem interromper o espetáculo.
Nota Técnica: Para suportar esse ecossistema, a produtora instala no MorumBIS uma usina móvel contendo entre 6 e 10 geradores de grande porte (operando em pares sincronizados/redundantes). O consumo diário total da produção ultrapassa 3.000 litros de diesel S10 por dia de show.
Consolidação Técnica: Som, LED & Iluminação
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Potência Elétrica Total (Pico): ~2,6 Megawatts (2.600.000 Watts). É a energia média instantânea necessária para abastecer um bairro residencial de cerca de 2.000 casas brasileiras comuns (considerando o consumo médio simultâneo por residência em horário fora de pico). Ou equivale a ligar simultaneamente 470 chuveiros elétricos de alta potência (5.500 W cada) na temperatura máxima.
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Carga Estrutural Suspensa (Rigging Total): ~75 a 108 toneladas.
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Demanda de Usina Móvel: 6 a 10 geradores sincronizados (operando com redundância).
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Consumo diário de Diesel S10: ~3.000 litros por dia (operação + testes + show). Se um carro de passeio, estilo picape, partir de São Paulo, ele consegue quase dar uma volta completa ao redor da Terra ou ir até Tóquio e voltar. Ou seja, mais de 36.000 km. Já uma carreta conseguiria a autonomia superior a 7.500 km. Algo suficiente para fazer do Oiapoque (Amapá) ao Chuí (Rio Grande do Sul) com uma boa sobra de 4.180 km.
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Custo Estimado de Combustível/Energia: ~R$ 18.100,00 por dia de show (base Diesel S10 a R$ 6,00/L).
