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Igreja defende transição justa para abandonar combustíveis fósseis

Vaticano e Itália viabilizam instalação agrovoltaica em Roma
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O Movimento Laudato sì Círculo de Nampula, em Moçambique, manifestou-se a favor de uma transição energética justa e do abandono progressivo dos combustíveis fósseis, defendendo a adesão a um tratado internacional de não-proliferação de carvão, petróleo e gás natural.

O manifesto ocorreu durante o programa de rádio Laudato sì, em que membros do movimento e líderes religiosos destacaram a vulnerabilidade do país a eventos climáticos extremos, como secas e cheias, e alertaram para os riscos de priorizar interesses econômicos em detrimento do bem comum e das comunidades mais vulneráveis.

A iniciativa aponta para a necessidade de combinar a substituição de matrizes fósseis por energias limpas com a revisão de modelos de produção e consumo, unindo a justiça climática à proteção social frente à exploração de recursos naturais no país.

O Paradoxo dos Recursos Naturais em Moçambique

Por um lado, Moçambique possui reservas expressivas de gás natural e carvão, que atraem investimentos e são frequentemente apontadas por governos como alavancas para o crescimento econômico.

Já pelo outro lado, o país está na linha de frente dos impactos das mudanças climáticas, sofrendo recorrentemente com eventos extremos como secas severas, ciclones e inundações. Essa realidade cria um paradoxo: a exploração de combustíveis fósseis alimenta a crise global que, ironicamente, destrói a infraestrutura e afeta diretamente as populações locais mais vulneráveis.

O Tratado de Não-Proliferação de Combustíveis Fósseis

A defesa de um tratado internacional específico para os combustíveis fósseis, inspirado nos modelos de não-proliferação de armas nucleares, busca preencher uma lacuna dos acordos climáticos globais tradicionais, que costumam mirar a redução de emissões, mas raramente estabelecem limites claros para a extração de carvão, petróleo e gás. A proposta apoia-se em três pilares essenciais:

  • Parar a expansão: Bloquear o início de novos projetos de exploração fóssil.

  • Eliminação progressiva: Reduzir de forma planejada a produção atual.

  • Transição inclusiva: Assegurar suporte financeiro e proteções sociais para que os trabalhadores e as economias locais dependentes do setor não sejam penalizados.

A Perspectiva da Ecologia Integral

Inspirada na encíclica Laudato sì do Papa Francisco, a abordagem do movimento vai muito além de uma simples substituição tecnológica de matrizes energéticas. Ela defende a ecologia integral, que entende que a crise ambiental e a crise social são inseparáveis. Para os defensores dessa visão, a transição para energias renováveis deve vir acompanhada de uma reflexão profunda sobre os modelos de produção, o consumo excessivo e a priorização do lucro em detrimento do bem comum e da dignidade humana.

Ouça o programa no Vatican News

Rodrigo Samy

Rodrigo Samy

Jornalista e assessor de imprensa com 25+ anos de experiência. Passagens por Estadão, WebMotors, Yamaha e Mitsubishi, além de atendimento a marcas como Jeep, Goodyear e SulAmérica. Fundador do Electric News, portal focado em mobilidade elétrica e transição energética.

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