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Como a bike da Moura se saiu na selva de pedras

Bicicletas ganham espaço na mobilidade urbana
Bicicletas ganham espaço na mobilidade urbana

Em abril de 2025, a maior fabricante de baterias automotivas do Brasil, a Moura, ingressou no mercado de bike elétricas. O modelo chegou ao mercado equipado com uma bateria de lítio de 36V e com a promessa de 80 km de autonomia. Entre os principais diferenciais estavam a velocidade máxima de 32 km/h, a suspensão dianteira amortecida, o sistema de oito marchas, freios a disco hidráulicos e componentes Shimano sincronizados com o comando elétrico.

Movida por um motor central de 350W com 120 Nm de torque, a Ella conta com bateria removível e display LCD que possibilita a troca do modo de condução, bem como a visualização de informações.

O Electric News pedalou com a e-bike Ella Moura Explorer pelas principais avenidas de São Paulo e chegou a algumas conclusões.

A e-bike Ella Moura Explorer é um veículo vantajoso para quem procura se locomover no dia a dia. Os pneus Kenda (aro 29) e as suspensões SR Suntour absorvem bem os impactos em uma cidade repleta de ciclovias abandonadas e de ruas esburacadas. Eu poderia aqui até relembrar da “Operação Tapa Buraco Eleitoreira”, mas acredito que seria injustiça reclamar dos recortes feitos apenas na minha área.

De qualquer forma, a e-bike superou as irregularidades quando encontradas. O único senão ficou por conta do selim. Apesar da assinatura da renomada marca italiana Selle Royal, o calo não ficou tão à vontade, principalmente com roupas de trabalho ou usuais. Logo, se a bike fosse minha, seria o primeiro acessório a ser substituído.

Outro ponto que pode incomodar é a baixa distância do pedal em relação ao solo. Com o joelho esticado e o banco a meia altura, é possível esbarrar nas conhecidas “tartarugas” de trânsito, tecnicamente chamadas de tachão refletivo. Vale dizer que quem escreve tem 1,80 m de altura.

Tartarugas Ninjas no comando da Faria Lima  

Apesar dos detalhes, pedalar e acelerar com a Ella é pura diversão. Na hora de rodar na ciclovia mais famosa de São Paulo, senti-me em pleno O Retorno de Jedi, de Guerra nas Estrelas, quando Luke Skywalker pilota motas aéreas no meio da floresta, fugindo de pedestres, skates, patins e de automóveis, todos sem a consciência de que as bikes já não são mais as mesmas.

Na ponta dos dedos é possível definir a carga que você quer usar e ainda ver a autonomia. Tudo em um display colorido, modelo DPC080C-TFT, com certificação de resistência à água (IPX7).

Como se vê na imagem, ele centraliza os dados vitais da condução: estado da bateria em percentagem (95%), velocidade instantânea (00 km/h), distância percorrida na viagem atual (“Viagem” / Odometer parcial) e a autonomia estimada restante em quilômetros, além de indicar o nível de assistência do motor ativo.

Ao lado do ecrã, encontram-se os botões físicos que permitem ao ciclista ligar o sistema, alternar entre os 5 modos de assistência ao pedal, gerir a iluminação ou navegar pelas definições de bordo, tudo sem tirar as mãos do guidão.

Cinco modos de assistência ao pedal

Como um cérebro que comanda a força necessária às pernas e ao motor, esse mini aparelho contribui um “bocado”, pois ele não só define a pressa, como também determina a economia da bateria. No sistema de ecrãs coloridos existem as seguintes opções:

  • E (Eco) — Verde: Focado na máxima eficiência e poupança de energia. Oferece uma assistência mais suave, ideal para maximizar a autonomia em percursos longos ou terrenos planos.

  • T (Tour) — Azul: O modo equilibrado para o cotidiano urbano. Proporciona um compromisso ideal entre a ajuda do motor e economia da bateria.

  • S (Sport) — Índigo: Um nível mais dinâmico que entrega uma resposta imediata e maior potência do motor, facilitando a progressão e o arranque.

  • S+ (Sport+) — Laranja: Oferece um desempenho superior com uma aceleração mais viva e enérgica, indicado para situações de maior exigência de força.

  • B (Boost) — Roxo: O modo de potência máxima do sistema, concebido para transpor subidas muito íngremes ou momentos em que é necessária a entrega total de torque.

Câmbio e sensor ajudam a controlar a tocada

O câmbio Shimano Altus, de 8 velocidades, trabalha em sincronia com todo o sistema. Ou seja, na subida da avenida Rebouças, por exemplo, com cerca de 12% de inclinação, foi preciso dosar os botões e as marchas, uma vez que a força elétrica também se aproveita do recurso das correntes.

Afinal, o que está na área central é um Bafang M430 junto do pedivela. Ou seja, é ele quem entrega o torque direto na corrente e para as rodas. Para que a arrancada seja coerente e controlável, há um sensor de torque que dosa a ajuda pela força do pedal.

O meu destino final era a mais paulista de todas as avenidas, a Avenida Paulista. Lá, a ciclofaixa é plana e a atenção com os pedestres deve ser redobrada. Já no modo econômico, a minha próxima preocupação era outra. Onde guardar uma bike que custa 1/4 do valor do meu carro, um Fiat Uno 2020? Algo acima de R$ 10 mil.

Por sorte, ia a um escritório e lá deixei a bonequinha Ella. O segurança me disse que ela foi paparicada por umas quatro pessoas enquanto estava estacionada no meio de outras bicicletas na garagem do prédio. Todos olhavam e queriam tirar uma casaquinha.

Veredito sobre a Ella Moura Explorer

Me apaixonei pela e-bike, mas confesso que fiquei com receio de gastar tanto. Sei que há um Shimano de qualidade e um sistema de propulsão de alta qualidade, mas não me senti tão livre, por medo de assalto, para estacionar ou rodar à noite. Como disse antes, o selim poderia ser melhor, assim como a altura dos pedais.

A autonomia é excelente e consegui fazer três percursos diários de 15 km sem a necessidade de recarga. A única vez que precisei, deixei a bateria, que é escamoteável, espetada com extensão em tomadas residenciais.

O desempenho do motor central Bafang aliado à força exercida pelo ciclista nos pedais ou no acelerador, é excepcional. Nos níveis mais altos de assistência (como o Sport ou Boost), a resposta é imediata e a e-bike atinge o limite legal de 32 km/h de forma bastante ágil no trânsito urbano.

 

FICHA TÉCNICA — BICICLETA ELÉTRICA ELLA

Característica Especificação

DESEMPENHO E MOTORIZAÇÃO

Tipo Bicicleta elétrica · pedal assistido
Motor Bafang M430 central · 350W
Torque 120 Nm
Sensor de pedalada Sensor de torque integrado
Modos de assistência 5 modos
Acelerador Opcional
Velocidade máxima de assistência 32 km/h

BATERIA E SISTEMA ELÉTRICO

Bateria Íons de lítio · 36V 20Ah · removível
Autonomia Até 80 km*
Tempo de recarga Até 8 horas
Ciclos de recarga 500 ciclos
Carregador Bivolt 42V 3A · 110 a 240V
Display TFT colorido · IPX7

COMPONENTES E CICLÍSTICA

Quadro Alumínio · tamanho M (17″)
Suspensão Garfo Suntour com trava
Câmbio Shimano Altus · 8 velocidades
Freios Disco hidráulico Shimano MT-200 · 160 mm
Pneus Kenda 29″ x 2.40
Iluminação LEDs dianteiro e traseiro
Equipamentos Retrovisor, campainha, refletores e descanso

DIMENSÕES, PESO E CAPACIDADE

Dimensões 195,4 x 72 x 110 cm
Pe 26 kg
Carga máxima 120 kg
Cores Azul e Chumbo

GARANTIA, MANUTENÇÃO E LEGALIZAÇÃO

Garantia do veículo 1 ano ou 6.000 km, o que ocorrer primeiro
Garantia da bateria 1 ano ou 300 ciclos, o que ocorrer primeiro
Revisões obrigatórias A cada 3.000 km ou 6 meses, o que ocorrer primeiro
Homologação Isenta de habilitação e emplacamento
Rodrigo Samy

Rodrigo Samy

Jornalista e assessor de imprensa com 25+ anos de experiência. Passagens por Estadão, WebMotors, Yamaha e Mitsubishi, além de atendimento a marcas como Jeep, Goodyear e SulAmérica. Fundador do Electric News, portal focado em mobilidade elétrica e transição energética.

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