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Mineradora australiana faz compra de R$ 3,5 bilhões em MG

Pesquisadores encontram elementos de terras raras no Piauí
Pesquisadores encontram elementos de terras raras no Piauí

A mineradora australiana Lynas Rare Earths comprou a totalidade da Meteoric Resources por R$ 3,5 bilhões em Minas Gerais. A transação ocorreu 15 dias após a sanção da Política de Minerais Críticos pelo governo brasileiro. Essa operação amplia a participação nacional nas negociações que estruturam a cadeia global de terras raras.

O negócio faz parte do Projeto Caldeira. Ele reúne o maior recurso conhecido de óxidos de terras raras em argilas iônicas fora da China no Brasil. É considerada uma das maiores iniciativas de exploração e refino de terras raras do mundo, localizada nos municípios de Caldas e Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais.

As empresas preveem uma operação com duração de 23 anos e produção média estimada em 12,5 mil toneladas anuais. Trata-se da segunda maior transação expressiva com ativos brasileiros do setor em poucos meses.

A Lynas opera como a única produtora comercial de óxidos leves e pesados separada do mercado chinês. Com a compra, a companhia passa a controlar um projeto nacional em fase de desenvolvimento. Em abril, a norte-americana USA Rare Earth acertou a aquisição da Serra Verde por US$ 2,8 bilhões.

Estratégia global e transição energética

Especialistas apontam que a concentração da cadeia produtiva eleva a relevância desses minerais para os mercados internacionais. Flávio Vegas, analista da Global X, afirma que a diversificação tornou-se uma questão estratégica crucial.

As terras raras compõem um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs permanentes e veículos elétricos. Elas também integram turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas avançados de defesa. A China domina cerca de 70% da produção mundial e 90% do refino desses insumos vitais.

O domínio chinês ganhou força com a imposição de rígidos controles sobre as exportações de minerais. Novas restrições previstas inicialmente para outubro foram adiadas para novembro de 2026. A Agência Internacional de Energia estima que trilhões de dólares em produção externa enfrentam riscos consideráveis.

Reflexos no mercado financeiro

O cenário geopolítico repercute diretamente no mercado de capitais e nos fundos especializados. O fundo Global X Rare Earth & Critical Materials captou US$ 25 milhões em 2026. Esse montante representa cerca de 59% do patrimônio atual do veículo de investimentos.

O interesse crescente reflete uma mudança estrutural na percepção sobre os minerais críticos. Os agentes econômicos buscam desenvolver novas fontes de oferta para mitigar a dependência geográfica.

O mercado brasileiro acompanha agora a implementação prática da nova política nacional de mineração. Novos projetos buscam ampliar a oferta fora do território asiático nos próximos anos. A próxima etapa dos controles chineses, marcada para dez de novembro, exigirá monitoramento constante das indústrias globais.

Rodrigo Samy

Rodrigo Samy

Jornalista e assessor de imprensa com 25+ anos de experiência. Passagens por Estadão, WebMotors, Yamaha e Mitsubishi, além de atendimento a marcas como Jeep, Goodyear e SulAmérica. Fundador do Electric News, portal focado em mobilidade elétrica e transição energética.

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