Durante o Congresso SAE Brasil 2026, realizado no Parque Ibirapuera, em São Paulo, a Vedamotors apresentou novos processos para a cadeia do hidrogênio. A empresa levou ao evento os dados do projeto LISAPEC. Iniciativa que busca transferir a produção de componentes eletroquímicos da escala de laboratório para a manufatura comercial.
Gargalos de manufatura e mercado brasileiro
A corrida global pela transição energética exige infraestrutura robusta para produzir vetores limpos. No Brasil, o novo marco regulatório do hidrogênio de baixo carbono oferece maior previsibilidade jurídica. Contudo, a dependência de componentes complexos importados ainda prejudica a competitividade local.
Por isso, projetos de amônia verde e siderurgia precisam de ganho de escala. Essa expansão industrial reduz os custos unitários de capital. Entretanto, esse objetivo depende diretamente do domínio tecnológico sobre a fabricação de pilhas de eletrólise.
Historicamente, a produção de eletrodos sofre com o desperdício de metais nobres e a lentidão fabril. Portanto, a substituição de processos manuais por métodos aditivos barateia a geração de energia. Essa mudança representa a principal rota para tornar o hidrogênio viável em larga escala.
Engenharia aditiva e parcerias estratégicas
A tecnologia LISAPEC aplica formulações catalíticas sobre substratos poliméricos de forma controlada. Adicionalmente, essas estruturas compõem os conjuntos de membrana e eletrodos. Tais conjuntos governam a dissociação da água na eletrólise e a geração elétrica nas células a combustível.
Segundo Gabriel Bernardelli, engenheiro de materiais da Vedamotors, a precisão da impressão digital reduz as perdas de materiais críticos. Dessa forma, o método diminui o custo por quilowatt instalado nos equipamentos. Além disso, a planta opera com membranas tradicionais e formulações alternativas sem compostos fluorados.
Perspectivas de nacionalização da produção
A Vedamotors planeja absorver as etapas de manufatura de componentes gradualmente no território brasileiro. A companhia prevê que o crescimento de polos de hidrogênio verde exigirá o desenvolvimento de fornecedores locais. Nesse cenário, a estratégia corporativa mitiga riscos logísticos e tarifários no país.
Paralelamente, o setor de mobilidade pesada avalia a eletrificação de frotas por meio de células a combustível. Para a diretoria técnica da empresa, a capacidade de suporte local define a escolha das montadoras. A oferta de membranas customizadas atende também a projetos estacionários de geração elétrica.
O Brasil possui vantagens expressivas para gerar hidrogênio limpo devido à matriz elétrica renovável. No entanto, a viabilidade econômica do país depende da superação da atual dependência tecnológica. A importação de equipamentos críticos reproduz o modelo econômico focado em exportar recursos primários.
Diante disso, a internalização da manufatura de componentes dita o futuro do setor nacional. O domínio produtivo separa a participação passiva da verdadeira liderança na nova economia. Assim, a tecnologia de deposição controlada elimina o principal obstáculo financeiro dessa cadeia industrial.
