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Legislação

Híbridos flex seriam o futuro da mobilidade?

Etanol carbono negativo? Nova pesquisa brasileira aponta caminho
Etanol e carros flex em motores híbridos são fundamentais para a transição energética

Você já parou para pensar se a eletrificação total é a única resposta para reduzir as emissões de carbono nos carros? Quando olhamos para a realidade do Brasil, a resposta é não. Em vez de escolher entre motores elétricos ou biocombustíveis, a indústria está apostando forte nos híbridos flex a etanol.

Durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo, o tema foi debatido. Nas discussões, tiveram líderes do setor, executivos de montadoras e representantes do governo.

As montadoras já fizeram a sua aposta

A indústria automotiva nacional consolidou a rota dos híbridos flex como sua principal resposta estratégica de descarbonização. Em vez de focar em uma única alternativa, os novos aportes bilionários buscam aliar motores elétricos e biocombustíveis para garantir vantagens ambientais e competitivas em todo o ciclo de vida dos veículos.

Stellantis e BYD lideram investimentos em tecnologias limpas

  • Stellantis: A fabricante lidera os aportes com um plano massivo de R$ 32 bilhões até 2030. Segundo João Irineu Medeiros, VP de Assuntos Regulatórios, um veículo híbrido flex a etanol pode emitir menos carbono do que um elétrico puro rodando em países com matriz energética baseada em fontes fósseis, como o carvão.

  • BYD: A marca chinesa investiu R$ 134 milhões no desenvolvimento de tecnologias híbridas plug-in flex para o Brasil, com destaque para o lançamento do BYD ATTO 2 DM-i. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da empresa, reforçou que essa estratégia conecta a tecnologia à realidade brasileira, em que mais de 93% da matriz elétrica vem de fontes limpas.

Mercado projeta forte expansão até 2040

Para a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), o segredo é manter a neutralidade tecnológica para atender aos consumidores e continuar atraindo investimentos globais. O presidente da entidade, Igor Calvet, projeta que 80% dos novos emplacamentos no Brasil serão de modelos eletrificados até 2040.

O papel do governo, da pesquisa e dos incentivos

Para que essas inovações ganhem escala nas ruas, a tecnologia precisa do suporte de diretrizes regulatórias e econômicas claras:

  • Políticas Públicas e Precificação de Carbono: Marlon Arraes, da Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, apontou que programas como Rota 2030, Mover e RenovaBio garantem inovação contínua. O próximo passo do governo é avançar na precificação do carbono fóssil, tornando o etanol ainda mais vantajoso e atraente para o consumidor final.

  • Sinergia e Prontidão Tecnológica: Renato Romio, do Instituto Mauá de Tecnologia, confirmou que a engenharia brasileira já tem as soluções prontas para motores híbridos e misturas maiores de etanol. O desafio atual é estreitar a sinergia entre academia, indústria e governo para validar a frota e impulsionar o consumo.

Visão sistêmica: da produção à reciclagem de baterias

A redução de emissões vai muito além do que sai pelo escapamento. Ricardo Bastos, presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), ressaltou que a sustentabilidade da frota eletrificada depende do desenvolvimento da cadeia produtiva como um todo.

Para que essa transição seja completa, o Brasil precisa focar em dois pilares industriais:

  1. Nacionalização: produzir componentes e baterias dentro do país;

  2. Reciclagem: estruturar a infraestrutura para a reciclagem de baterias ao fim de sua vida útil, permitindo a recuperação de minerais críticos como o lítio.

Rodrigo Samy

Rodrigo Samy

Jornalista e assessor de imprensa com 25+ anos de experiência. Passagens por Estadão, WebMotors, Yamaha e Mitsubishi, além de atendimento a marcas como Jeep, Goodyear e SulAmérica. Fundador do Electric News, portal focado em mobilidade elétrica e transição energética.

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