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Transporte

Governo autoriza elevar teor de etanol na gasolina para 35%

Veja o tamanho da disparada dos combustíveis
Mais etanol na gasolina. Onde vamos parar? A medida faz bem para os veículos?

O Governo Federal autorizou uma fase de testes de seis meses, prorrogável por igual período, para avaliar a elevação do teor de etanol anidro na gasolina de 32%, com projeção de alcance da mistura de 35%.

A medida busca mitigar os reflexos econômicos decorrentes de conflitos no Oriente Médio, embora o Brasil importe apenas cerca de quinze por cento da gasolina consumida internamente. A decisão gerou discussões técnicas entre engenharia automobilística, órgãos reguladores e o mercado consumidor sobre a durabilidade dos motores.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores apontou a ausência de análises aprofundadas sobre os reflexos imediatos da nova mistura na frota circulante do país. Modelos mais antigos, motocicletas de menor cilindrada e veículos importados projetados para o padrão de dez por cento de etanol enfrentam riscos operacionais específicos. Entre os problemas identificados estão a dificuldade de partida a frio em dias de baixas temperaturas, o ressecamento de juntas e mangueiras, além da formação de depósitos nos injetores de combustível.

Desafios Técnicos e Paridade Econômica para Frota Flex

Para a frota de veículos flex, que representa oitenta por cento do total nacional, o impacto mecânico é mitigado pela Unidade de Comando Eletrônico. O componente ajusta o tempo de injeção e o avanço da ignição por meio de leituras da sonda lambda. Como o etanol entrega cerca de 30% a menos de energia por litro em comparação à gasolina pura, o motorista perceberá alteração direta na paridade econômica no momento do abastecimento nos postos.

No âmbito regulatório, especialistas indicam que a fiscalização realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis precisará de atualizações normativas. Métodos tradicionais, como o teste da bureta e a medição da densidade, apresentam limitações na verificação de teores elevados. A medição da octanagem permanece restrita a análises laboratoriais. Por fim, a transição busca consolidar o biocombustível na matriz de mobilidade sustentável, mas exige rigor técnico e transparência na comunicação com o consumidor.

Rodrigo Samy

Rodrigo Samy

Jornalista e assessor de imprensa com 25+ anos de experiência. Passagens por Estadão, WebMotors, Yamaha e Mitsubishi, além de atendimento a marcas como Jeep, Goodyear e SulAmérica. Fundador do Electric News, portal focado em mobilidade elétrica e transição energética.

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