Amanhã chove? El Niño forte acende alerta no setor de energia

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A previsão de um El Niño de intensidade forte está colocando o setor de energia em estado de atenção redobrada. O fenômeno meteorológico, conhecido por alterar padrões de chuva e temperatura, pode intensificar desafios operacionais para empresas de transmissão e distribuição.

Para a Climatempo, a atuação junto a companhias do setor elétrico visa transformar dados meteorológicos em informação aplicada. As respostas mais rápidas a eventos extremos contribuem para a proteção de ativos críticos e para o aumento da resiliência das redes diante de um cenário climático mais desafiador.

“O setor elétrico está cada vez mais exposto aos impactos de eventos climáticos extremos. Com a possibilidade de um El Niño forte, a antecipação de riscos se torna ainda mais estratégica para o setor de energia”, afirma Vitor Hassan, Head de Negócios da Climatempo.

A Argo Energia, segmento de transmissão, adotou estações meteorológicas da Climatempo para acompanhar trechos de linhas de transmissão, como em Rondônia, correlacionando dados climáticos com falhas e interrupções e fortalecendo a gestão operacional diante de condições meteorológicas adversas. O mesmo acontece com a Isa Energia Brasil, que usa estações de inteligência climática na própria rede.

Tecnologia na ponta da bota

Para Jonatas Jaqmam, Head of Client Strategy & Solution da AMcom, companhia brasileira de tecnologia para operações críticas, os eventos climáticos extremos evidenciam uma mudança que o setor elétrico precisa enxergar.

“Durante muitos anos, a discussão sobre segurança energética esteve concentrada na capacidade de geração e na expansão da infraestrutura. Hoje, existe uma camada igualmente importante: a inteligência sobre a operação. Quanto maior a capacidade de integrar dados e antecipar cenários, mais preparada a empresa estará para responder a situações críticas com rapidez e segurança”, afirma.

A transformação digital também tem permitido que empresas do setor evoluam de um modelo predominantemente reativo para uma gestão baseada em previsibilidade. Em vez de atuar apenas após uma ocorrência, distribuidoras, transmissoras e operadores podem utilizar modelos analíticos para monitorar continuamente a operação, identificar tendências e agir preventivamente sempre que houver aumento na probabilidade de falhas.

Para Jaqmam, a tendência é que eventos climáticos extremos se tornem cada vez mais frequentes, tornando indispensável que o setor invista não apenas em infraestrutura física, mas também em inteligência operacional. “A resiliência do sistema elétrico dependerá cada vez mais da combinação entre pessoas, processos e tecnologia. Empresas que conseguirem transformar dados em decisões rápidas estarão mais preparadas para enfrentar um cenário climático cada vez mais imprevisível e garantir maior segurança para toda a sociedade”, conclui.

Quem é esse tal de El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera os padrões de ventos e a circulação de umidade pelo planeta, provocando mudanças drásticas no clima global.

Na América do Sul, ele costuma causar chuvas intensas e enchentes no Sul do Brasil, Peru e Equador. Em contrapartida, no Norte e Nordeste brasileiro, o fenômeno provoca secas severas e temperaturas elevadas. Em regiões da Ásia e Oceania, como Austrália e Indonésia, o resultado costuma ser estiagem extrema e aumento nos incêndios florestais.

Além dos impactos regionais, o El Niño eleva a temperatura média global, fazendo com que os anos sob sua influência registrem recordes de calor. O evento ocorre de forma irregular em intervalos de dois a sete anos, durando em média de 9 a 12 meses. O fenômeno oposto, marcado pelo resfriamento das mesmas águas do Pacífico, é chamado de La Niña.

Menino Jesus em espanhol

O nome El Niño (que significa “o menino” ou “o Menino Jesus” em espanhol) foi dado por pescadores peruanos no século XIX. Eles perceberam que, em alguns anos, a água do oceano ficava mais quente que o normal e os peixes desapareciam. Como esse fenômeno costumava atingir seu ponto máximo no final do mês de dezembro, próximo ao Natal, os pescadores associaram o aparecimento da corrente quente à celebração do nascimento do Menino Jesus.

Mais tarde, os cientistas adotaram o nome popular para descrever todo o fenômeno de aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial. Quando o fenômeno oposto foi identificado (resfriamento das águas), os meteorologistas o batizaram de La Niña.

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