O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) prevê um El Niño de intensidade muito forte no Brasil. O fenômeno ocorrerá no trimestre de outubro a dezembro de 2026. O último boletim aponta 95% de probabilidade para este cenário durante a primavera e o verão. Consequentemente, o evento climático altera o planejamento da transição energética e da logística nacional.
O fenômeno consiste no aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. No final de setembro, as anomalias de temperatura da superfície do mar superaram dois graus Celsius. Esta elevação ocorreu nas regiões central e leste do oceano. Os dados pertencem à agência norte-americana CPC/NOAA. Portanto, o atual evento pode figurar entre os mais intensos desde 1950.
A projeção climática indica chuvas acima da média na região Sul do Brasil. Esta condição eleva consideravelmente o risco de cheias nos próximos meses. Além disso, parte do Sudeste e o leste do Nordeste receberão volumes hídricos superiores ao padrão. Assim, operadores de frotas de veículos elétricos e infraestruturas de recarga precisam preparar planos de contingência estrutural contra inundações.
Seca e calor desafiam logística e sistemas de energia
O centro-norte do país enfrentará condições severamente mais secas. As temperaturas permanecerão acima da média em grande parte do território nacional. Logo, a falta de chuvas no Norte e no Nordeste agrava os riscos de incêndios. Esse panorama exige maior atenção operacional das geradoras de energia renovável e das concessionárias de transmissão.
Ondas de calor aumentam a demanda nacional por eletricidade. Ao mesmo tempo, o clima seco impacta diretamente os reservatórios das usinas hidrelétricas. Adicionalmente, as altas temperaturas dificultam o gerenciamento térmico de sistemas de armazenamento de energia em baterias. Dessa forma, a adoção de fontes complementares despacháveis como o biometano torna-se vital para o sistema.
Diversos órgãos públicos monitoram ativamente essas mudanças climáticas. O Inpe elabora o documento analítico em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais também colabora diretamente. Por fim, entidades como o Serviço Geológico do Brasil, Sedec e Censipam participam ativamente do esforço conjunto.
