O avanço da frota de veículos eletrificados altera o setor de energia no Brasil. Portanto, a mudança vai muito além da mobilidade urbana. Assim, novos hábitos de consumo ganham espaço no país.
Os dados recentes da consultoria Bright Consulting revelam um cenário inédito. Afinal, os modelos eletrificados responderam por quase um quarto das vendas na primeira quinzena de julho. Logo, a eletrificação deixa de ser um nicho de mercado.
Com efeito, essa alta expressiva consolida a tecnologia na realidade brasileira. Dessa forma, os consumidores integram a nova matriz energética. Contudo, o processo exige adaptações na infraestrutura local.
Nova lógica de consumo e flexibilidade na recarga
Diferente dos carros a combustão, os veículos elétricos oferecem maior flexibilidade. Por conseguinte, o proprietário escolhe o melhor horário para realizar a recarga. Essa vantagem otimiza o uso da rede elétrica nacional.
Nesse sentido, a automação residencial desempenha um papel fundamental. Portanto, o sistema gerencia o fluxo de energia de forma inteligente. Assim, os custos operacionais diminuem consideravelmente.
Ademais, os motoristas aproveitam períodos de menor demanda na rede. Futuramente, essa prática garante tarifas mais competitivas para todos. Por fim, o sistema elétrico opera com maior equilíbrio e eficiência.
Lógica de consumo e da flexibilidade na recarga
“Os veículos elétricos representam uma mudança importante na relação entre consumidores e energia. A partir do momento em que o horário da recarga influencia o custo da eletricidade, o consumidor passa a ter um papel mais ativo na gestão do seu consumo. Esse movimento reforça a necessidade de um setor elétrico cada vez mais digital, capaz de oferecer sinais de preço e ferramentas que tornem essas decisões mais simples e eficientes”, afirma Eduardo Miranda, CEO da TYR Energia.
Entenda como a frota eletrificada vai redefinir o consumo
Esse cenário ganha ainda mais relevância diante da expansão das fontes renováveis no país. Com a geração solar concentrada durante o dia e o pico de consumo ocorrendo no início da noite, a possibilidade de deslocar parte da demanda para horários mais adequados contribui para aumentar a eficiência do sistema elétrico e reduzir as sobrecargas na rede.
Para que esse modelo se consolide, entretanto, será necessário ampliar o uso de tecnologias capazes de automatizar o gerenciamento do consumo energético. Softwares, inteligência artificial, medidores inteligentes e sistemas de armazenamento poderão programar a recarga dos veículos de forma automática.
“A tendência é que a recarga dos veículos deixe de depender da decisão do usuário e passe a ser realizada de forma inteligente. Com apoio de softwares e inteligência artificial, será possível identificar os horários mais eficientes para carregar o veículo, reduzindo custos e contribuindo para o equilíbrio da rede elétrica. O carro elétrico passa a integrar um ecossistema energético mais conectado, no qual diferentes tecnologias trabalham de forma coordenada para otimizar o consumo”, explica Pedro Bittencourt, CTO da TYR Energia.
Veja o caminho a ser seguido
Por fim, a eletrificação da frota também cria condições para uma integração cada vez maior entre veículos, sistemas de armazenamento de energia e geração distribuída. Em mercados mais avançados, já existem iniciativas que permitem utilizar as baterias dos automóveis para abastecer residências ou até fornecer energia à rede elétrica em momentos de maior demanda, conceito conhecido como Vehicle-to-Grid (V2G).
Embora essa tecnologia ainda esteja em desenvolvimento no Brasil, ela reforça uma tendência que já começa a ganhar espaço no setor: a energia deixa de ser consumida de forma passiva e passa a ser gerenciada estrategicamente. “Nesse contexto, a mobilidade elétrica desponta como um dos principais vetores para acelerar a digitalização do sistema elétrico e estimular um modelo de consumo mais inteligente, eficiente e alinhado aos desafios da transição energética”, conclui Miranda.
