A Honda desenvolveu um sistema capaz de recarregar veículos elétricos por indução enquanto rodam pelo asfalto. A tecnologia será testada em condições reais a partir de abril de 2027, no Japão, em uma parceria firmada com as empresas Taisei Corporation e Taisei Rotec.
O projeto utiliza bobinas instaladas sob o pavimento para transmitir eletricidade diretamente a receptores posicionados na parte inferior dos automóveis. Nos testes iniciais com automóveis, a energia recebida nos trechos equipados superou o consumo necessário para manter os carros em movimento, permitindo também aumentar a carga acumulada na bateria.
A próxima fase prevê a instalação de módulos em um trecho experimental de 40 metros, na região de Fukushima, até março de 2027. Em seguida, a partir de abril, os testes avançarão para a Tateyama Expressway, localizada na província de Chiba.
A infraestrutura também passará por avaliações de resistência do pavimento utilizando caminhões da classe de 40 toneladas. Essa etapa é fundamental para verificar a viabilidade técnica e a durabilidade do sistema voltado ao transporte pesado de cargas.
Foco no transporte rodoviário de cargas
Embora os resultados divulgados até agora se concentrem em automóveis de passeio, a iniciativa mira o segmento de logísticas pesadas. A expectativa é que, futuramente, caminhões elétricos recuperem energia durante as viagens, diminuindo a dependência de baterias volumosas e de paradas prolongadas para reabastecimento.
Para caminhões de longa distância, receber energia durante o percurso reduz o peso excessivo dos acumuladores de carga, liberando espaço útil para mercadorias. A tecnologia também viabiliza eletrificar trechos estratégicos das rodovias sem exigir a instalação de equipamentos em toda a extensão da malha viária.
Durante muito tempo, a evolução tecnológica ficou concentrada apenas no caminhão. Agora, a própria estrada começa a fazer parte dessa transformação, permitindo pensar em frotas e infraestrutura funcionando juntas, afirma o dirigente.
Interesse no setor de transporte de veículos
No segmento de transporte de veículos novos, que reúne mais de 5 mil profissionais representados pelo Sinaceg, os possíveis ganhos de autonomia despertam interesse. A atividade diária depende de caminhões especializados, planejamento rigoroso de rotas e cumprimento estrito de prazos.
Cada viagem exige um equilíbrio preciso entre autonomia, capacidade de carga e tempo de operação. Caso a tecnologia funcione também para veículos pesados, o setor poderá contar com uma alternativa viável para otimizar o uso dos equipamentos e reduzir o tempo dedicado às paradas de recarga, destaca o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino.
A aplicação comercial em larga escala ainda depende de estudos complementares sobre custos de implantação, fornecimento estável de eletricidade, durabilidade dos equipamentos e compatibilidade entre diferentes fabricantes.
No Brasil, a experiência japonesa poderá servir de referência para futuras discussões sobre a infraestrutura rodoviária e a transição energética do setor logístico.
