Demanda por energia deve crescer mais de 4% até 2030

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Demanda por energia deve crescer mais de 4% até 2030. Isso é o que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) apresentou aos agentes do setor com o Plano da Operação Energética (PEN) 2026–2030.

O documento que avalia as condições de atendimento do Sistema Interligado Nacional (SIN) para os próximos cinco anos. O estudo aponta para um crescimento médio anual de 4,2% na carga de energia, que deverá alcançar cerca de 98,8 GW médios em 2030, alta de 17,9% em relação aos níveis atuais.

O relatório também destaca o avanço das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira. Juntas, a geração solar fotovoltaica e a micro e minigeração distribuída (MMGD) deverão responder por 31,7% da capacidade instalada do país até o fim da década.

Entenda como funcionam as projeções

Segundo as projeções do ONS, a capacidade instalada do SIN chegará a 287 GW em 2030. Apenas a MMGD deverá crescer 22,7 GW no período, atingindo 67,5 GW e representando 23,5% da capacidade total instalada. Desde dezembro de 2025, a modalidade já ocupa a posição de segunda maior fonte de geração do sistema, com participação de 18,1%.

A expansão das fontes renováveis intermitentes, como a energia eólica e a solar, também aumenta a necessidade de maior flexibilidade operacional no sistema elétrico. Nesse cenário, fontes despacháveis, especialmente as hidrelétricas, ganham importância por sua capacidade de ajustar rapidamente a geração para acompanhar as oscilações da demanda e da produção renovável ao longo do dia.

As análises do PEN 2026 consideram a entrada em operação das usinas termelétricas contratadas nos dois Leilões de Reserva de Capacidade (LRCap), realizados em março deste ano. Ainda assim, o ONS avalia que será necessário manter a realização de leilões anuais para garantir o equilíbrio estrutural do sistema e atender aos requisitos de potência.

O leilão específico para sistemas de armazenamento por baterias, previsto para este ano, é apontado como uma alternativa para ampliar a segurança energética.

O relatório também traz uma nova análise sobre o curtailment — cortes na geração renovável provocados por limitações operacionais ou pela baixa demanda. Pela primeira vez, o estudo adotou uma abordagem probabilística, considerando diferentes cenários de geração eólica e solar, além de distintos perfis de consumo.

Os resultados confirmam avaliações anteriores e indicam que as restrições podem alcançar até 40 GW, principalmente por razões energéticas, quando a produção supera a demanda disponível. Esse cenário é mais comum nas primeiras horas da manhã, quando o consumo é menor e os parques eólicos ainda operam com alta capacidade, e entre o fim da manhã e o início da tarde, período de maior geração solar.

Apesar disso, o ONS projeta uma redução gradual do curtailment energético e por confiabilidade ao longo dos próximos anos, impulsionada pelo crescimento da demanda, pela expansão da rede de transmissão e pela desaceleração do ritmo de expansão das usinas eólicas e solares conectadas à rede básica.

Conclusão: 2026 estável, 2027 exige atenção

Para 2026, a avaliação conjuntural indica tendência de os subsistemas atingirem níveis de armazenamento superiores aos observados em 2025, com previsão de despacho térmico adicional podendo chegar a cerca de 11 GW médios nos cenários mais desfavoráveis. Do ponto de vista de potência, apenas o cenário mais crítico indicou possibilidade de uso de parte da reserva operativa no fim do ano.

Já para 2027, o quadro exige mais atenção. Somente os três cenários mais desfavoráveis apontam armazenamento inferior ao do ano anterior, mas a não ocorrência de um período úmido favorável em 2026/2027, partindo de uma condição já deteriorada de armazenamento, pode resultar em despacho térmico elevado no segundo semestre daquele ano.

No campo da potência, o ONS chama atenção para o risco de esgotamento dos limites de intercâmbio entre subsistemas em momentos críticos, o que poderia comprometer o atendimento de ponta em cenários de demanda muito elevada combinada com baixa geração eólica.

Avaliação estrutural (2027-2030): energia equilibrada, potência em alerta

De acordo com os critérios de suprimento estabelecidos pela Resolução CNPE nº 29/2019, o caso de referência do PEN 2026 mostra os indicadores de energia plenamente atendidos ao longo de todo o horizonte.

Há um cenário de maior participação de cargas especiais, como data centers e plantas de hidrogênio verde, também aprofunda as violações dos critérios de potência, com o ONS recomendando atenção especial ao atendimento dessas cargas no período de ponta noturno, dada sua baixa flexibilidade operativa ao longo do dia.

Por fim, o cenário que estende o horizonte de análise até 2031 mostra violação dos critérios de potência em todos os anos avaliados, evidenciando a necessidade de aprimoramentos metodológicos para a representação de novos empreendimentos de geração ainda sem contratos assinados.

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