O Autódromo de Interlagos alcançou o patamar mais alto do programa de acreditação ambiental da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Certificação de três estrelas. O anúncio destaca práticas rigorosas de gestão sustentável aplicadas na preparação para o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, combinando transição energética, reciclagem de resíduos e infraestrutura de transporte de massa para o público.
Entre os principais vetores dessa conquista está a usina solar instalada na cobertura da arquibancada B. O sistema gerou mais de 127 mil quilowatts-hora em um ano, somando-se a iniciativas de eficiência energética, ao uso de blocos de plástico reciclado em reformas e à operação de uma central permanente de reciclagem. Energia gerada é equivalente à consumida por 66 residências brasileiras no ano inteiro. Essa geração representou uma economia estimada de cerca de R$ 65 mil em comparação com a aquisição do mesmo volume de energia da rede.

Para suprir a demanda de energia durante o evento, a organização prioriza o uso em larga escala de biodiesel nacional em geradores temporários e áreas isoladas. A medida reduz drasticamente as emissões fósseis diretas. Além disso, o evento neutraliza a totalidade de suas emissões operacionais e de deslocamento mapeadas por meio da aquisição de créditos de carbono certificados (CERs).
Infraestrutura e segurança energética
Do ponto de vista de infraestrutura crítica, a concessionária e os órgãos públicos mantêm planos de contingência com alimentadores redundantes de energia e geradores de prontidão. Áreas vitais como cronometragem, direção de prova, transmissão de televisão e iluminação de segurança contam com essa retaguarda técnica para prevenir qualquer oscilação ou interrupção.
Embora o consumo bruto exato de megawatts-hora da rede pública varie conforme a montagem de pavilhões temporários, operações de televisão e equipes, o evento adota protocolos rigorosos de controle. A gestão integrada busca minimizar o impacto ambiental em todas as frentes de operação técnica e logística.
Mobilidade e transporte público
O acesso do público ao autódromo tem como recomendação principal o uso da Linha 9-Esmeralda, operada pela ViaMobilidade. Tanto a Estação Autódromo quanto a Estação Cidade Dutra atendem à região de forma direta, facilitando o deslocamento dos espectadores que evitam o transporte individual.
A operadora disponibiliza o Trem Expresso GP São Paulo de forma segregada do serviço regular para dar vazão ao fluxo intenso de passageiros. Os embarques ocorrem nas estações Villa-Lobos-Jaguaré, Pinheiros e Morumbi com destino exclusivo à Estação Cidade Dutra.
A estação temporária foi reativada exclusivamente para o evento e fica a poucas centenas de metros dos portões de acesso, como os portões G e F. O serviço conta com partidas programadas a cada 30 minutos e viagens diretas que levam cerca de 25 minutos a partir de Pinheiros. Os bilhetes para o expresso são adquiridos antecipadamente de forma digital no site oficial de passaportes da ViaMobilidade.

Como funciona a acreditação ambiental da FIA
O selo não representa um título exclusivo no cenário mundial do automobilismo. O circuito de Mugello, na Itália, foi o primeiro do mundo a obter as três estrelas em 2015. Todas as dez equipes da categoria e a própria Fórmula 1 também alcançaram o nível de acreditação ao longo dos últimos anos.
A FIA criou o programa para que autódromos, equipes e entidades nacionais possam medir e aprimorar seus resultados ecológicos. A certificação avalia a existência de uma estrutura gerencial consistente e não apenas ações isoladas de infraestrutura.

Critérios rigorosos de avaliação
O programa da Federação Internacional de Automobilismo foi desenhado para estabelecer um padrão corporativo voltado à sustentabilidade no esporte a motor. A entidade define três níveis de acreditação, que escalam desde ações básicas até a excelência operacional.
A conquista da terceira estrela exige que a organização comprove a manutenção de processos ecológicos permanentes. O escopo avaliativo examina detalhadamente 17 frentes operacionais. Entre os quesitos verificados pelas auditorias estão o consumo energético, a destinação correta de materiais descartados, a conservação de recursos hídricos e o impacto logístico geral da operação.
A adoção de padrões elevados de sustentabilidade alinha o autódromo brasileiro aos movimentos globais de descarbonização do esporte. A própria Fórmula 1 obteve sua acreditação em 2020, enquanto as dez equipes que compõem o grid já atingiram o patamar máximo de excelência ambiental.
Corrida de Fórmula 1 em São Paulo
Antes da etapa desse fim de semana (8), São Paulo se preparou para receber mais uma edição do Grande Prêmio de Fórmula 1 com melhorias na infraestrutura. Agora, o circuito ganhou um mural de 2 mil metros quadrados do artista paulistano Eduardo Kobra, que reúne Ayrton Senna, trabalhadores de diferentes áreas e marcos históricos e arquitetônicos da capital.
Com 225 metros de comprimento e 8,17 metros de altura, o mural “Nós Somos São Paulo”, do Kobra, ocupa uma área de destaque do autódromo. A obra retrata Ayrton Senna, maior ídolo do automobilismo brasileiro, ao lado de pessoas que representam diferentes atividades e trajetórias da população paulistana: a enfermeira Viviane Araujo Passos, o guarda civil Joseilson dos Santos Alves, a gari Daniele Cristina Pedro, o aposentado Adolfo Ferreira da Rocha e a estudante Ana Clara Rodrigues dos Santos. A proposta é destacar não apenas o tricampeão mundial, mas também o cidadão Ayrton da Silva e as histórias de quem, com seu trabalho e sua vida cotidiana, constrói a cidade.
Mural coloca Senna com pessoas de São Paulo
“Nesse mural, o Ayrton está ao lado de pessoas reais, que representam milhões de cidadãos que fazem São Paulo acontecer”, disse Kobra.
Kobra explicou que, ao criar o mural “Nós somos a cidade”, quis retratar Ayrton Senna para além da figura do piloto, destacando sua identidade como cidadão paulistano. “Eu já tive o privilégio de homenagear o Ayrton Senna em murais, em Ímola e em Miami, mas desta vez eu quis retratar não apenas o piloto, o ídolo, mas o Ayrton Senna da Silva, o cidadão, o ser humano por trás do capacete. Um paulistano como tantos outros que, com seu trabalho, suas histórias, suas lutas, ajudam a construir essa cidade todos os dias. Foi assim que nasceu o mural ‘Nós somos a cidade de São Paulo’, um painel de 2 mil metros quadrados, que eu tenho a honra de inaugurar hoje.”
O painel reúne referências da história da diversidade urbana de São Paulo, ou seja, Pateo do Collegio, o Estádio do Pacaembu, o Theatro Municipal, a Oca do Ibirapuera, a Catedral da Sé, o edifício do Masp e o Monumento às Bandeiras.

Mais pessoas para ver a corrida
A construção das arquibancadas dos setores A, D e OTC tem investimento de R$ 83,3 milhões. Com as intervenções, a capacidade total do autódromo passa de 21.794 para 29.606 espectadores sentados, um acréscimo de 7.812 lugares, equivalente a cerca de 35,8%.
A maior ampliação ocorre no setor D, por exemplo, que não contava com arquibancada e passará a ter 5.358 cadeiras. No setor A, a capacidade aumenta de 12.272 para 13.752 lugares, com acréscimo de 1.480 assentos. Já a arquibancada OTC/Laranjinha passa de 650 para 1.624 lugares, ampliando a capacidade em 974 assentos.
Área de preservação ambiental
Por fim, também está prevista a recuperação ambiental da Área de Preservação Permanente (APP) existente no autódromo. Com R$ 5,8 milhões, a intervenção inclui o plantio de mudas e movimentação de terra. Porém, esses trabalhos serão iniciados após o Grande Prêmio.
