O Serviço Geológico do Brasil (SGB) realizou levantamentos de campo em outubro para identificar jazidas de hidrogênio natural em Minas Gerais. A iniciativa integra a etapa inicial do Projeto Avaliação do Potencial de Hidrogênio Natural do Brasil, que busca ampliar as opções de energia limpa e renovável no território nacional.
A equipe técnica executou medições diretas de gases e diversas atividades de investigação geofísica para subsidiar a elaboração do Mapa de Prospectividade de Hidrogênio Natural do Brasil, ferramenta com publicação oficial prevista para 2027.
O objetivo é ampliar o acesso público e técnico aos registros disponíveis sobre o tema no país, consolidando um banco de dados unificado para futuras pesquisas e projetos do setor energético.
O projeto também prevê frentes adicionais de trabalho, como o cadastramento sistemático de ocorrências e indícios de hidrogênio natural relatados na literatura científica. Além disso, os pesquisadores utilizam técnicas de sensoriamento remoto para mapear possíveis manifestações de hidrogênio na superfície, iniciando os testes na Bacia do São Francisco.
Parcerias estratégicas e formação de especialistas
A execução das frentes de trabalho conta com a articulação de parcerias institucionais com universidades e órgãos federais. A iniciativa busca integrar estudos e promover ações conjuntas para ampliar o conhecimento geológico e geoquímico do território brasileiro sobre esse recurso estratégico.
O hidrogênio natural representa uma fonte potencial de produção de energia limpa. Os minerais podem gerar o gás por meio de reações químicas diretas com a água ou da quebra de moléculas de água pela radiação ionizante emitida por rochas e minerais em ambientes geológicos específicos.
Um exemplo clássico desse processo é a serpentinização, nome técnico dado à reação química entre o mineral olivina e a água. O resultado desse processo gera gás hidrogênio natural que fica aprisionado nas fraturas profundas das rochas, criando depósitos subterrâneos de interesse energético.
As atividades práticas de campo executadas em outubro de 2026 foram precedidas por um curso teórico e prático ministrado em setembro. O pesquisador Alain Prinzhofer, reconhecido como uma das principais referências internacionais em estudos sobre hidrogênio natural, conduziu a capacitação dos profissionais.
O treinamento abordou detalhadamente os processos geológicos e geoquímicos relacionados à geração, à migração e à ocorrência do hidrogênio natural. O curso também avaliou o potencial econômico e energético do gás e sua contribuição efetiva para a transição energética global.
Etapa prática e equipe técnica envolvida
A programação do curso incluiu uma etapa prática de medição de gases em campo, realizada em Maricá, no Rio de Janeiro. A região já constitui objeto de estudos científicos devido a manifestações locais de hidrogênio natural registradas anteriormente.
A equipe técnica responsável pela execução do projeto é formada pelos geólogos Márcio Silva e Paulo Dias, além da estagiária Mariah Rangel. Após a publicação do mapa nacional em 2027, as diretrizes do projeto preveem novos estudos de detalhamento do hidrogênio em várias regiões do país.
