O mercado brasileiro de biogás e biometano registrou mais de R$ 2,36 bilhões em financiamentos de longo prazo desde 2015. O avanço foi debatido no evento “Financiamento de Projetos de Biogás e Biometano” que foi promovido pelo escritório Machado Meyer em parceria com a Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) e a Watt Capital.
A abertura do debate destacou a consolidação da Lei do Combustível do Futuro. A legislação instituiu a Política Nacional de Incentivo ao Biometano e definiu mandatos compulsórios de descarbonização para o setor de gás natural.
A norma viabilizou a criação do Certificado de Garantia de Origem do Biometano, mecanismo regulamentado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis que separa o atributo renovável da molécula física. A ferramenta gera uma nova fonte de receita para os produtores e fomenta instrumentos de securitização na cadeia.
Substituição de combustíveis fósseis
O país opera atualmente 21 plantas de biometano, que produzem 1,3 milhão de metros cúbicos diários. Outras 48 unidades aguardam autorização na agência reguladora para somar 3,3 milhões de metros cúbicos diários até 2027, enquanto o setor mapeia 127 projetos com potencial para alcançar 8 milhões de metros cúbicos diários até 2030. Os números demonstram que o Brasil explora menos de 2% de sua capacidade total de produção.
Especialistas apontam o biocombustível como alternativa estratégica para reduzir a dependência de combustíveis fósseis no transporte pesado e na logística. O biometano garante reduções de até 90% nas emissões de gases poluentes em comparação ao diesel. A expansão da oferta fortalece iniciativas voltadas à descarbonização de frotas e ao avanço da mobilidade sustentável nas rodovias e nos centros urbanos.
