Que o Brasil é o país das picapes, isso já é sabido. Importamos mais um comportamento dos Estados Unidos e ficamos com ele para sempre. Porém, ao contrário daquelas utilitárias robustas com motores a diesel, hoje os automóveis com caçamba estão mais inteligentes e ecológicos — mais próximos de SUVs do que de veículos puramente de trabalho.
O terreno dos veículos com caçamba é dominado pela Fiat; tanto que a Strada é o carro mais vendido do Brasil. Com um detalhe: a “picapinha” que nasceu do Palio é líder absoluta de vendas desde 2021.
Visando o mercado intermediário, a Fiat lançou a Toro para concorrer com as marcas mais experientes no segmento, Ford e Chevrolet. As americanas trouxeram nomes conhecidos (Maverick e Montana), mas nada no páreo do volume de vendas da italiana.
Você pode estar se perguntando: o que o Electric News tem a ver com isso? Tudo! Afinal, o autor deste portal nasceu dentro de uma oficina mecânica, bebendo lubrificante na mamadeira. E o leitor, o que tem a ver com isso? Pois é: o Electric News vai começar a avaliar produtos para levar a melhor informação até você, abordando a parte elétrica, a tecnologia a bordo, o aproveitamento energético e muito mais. Vale dizer que já avaliamos o Geely EX2 e, agora, testamos a Toro com tecnologia híbrida.

Se a Fiat teve o Bravo e a Brava, essa é a Toro
Lançada em 2016, a Toro foi ganhando terreno aos poucos. Demorou para embalar, mas hoje ocupa a vice-liderança de vendas do segmento. Usando a mesma receita da irmã menor, ela conta com duas opções de motorização (1.3 e 2.2) e seis versões de acabamento.
O modelo testado pelo Electric News foi o Volcano 1.3T Flex AT6 270. A letra “T” indica que o motor é turboalimentado, e o número “270” refere-se ao torque em Newton-metros (Nm). Trata-se de um motor compacto, elástico para a cidade e com boa força nas saídas. O grande ‘pulo do gato’ na Toro está na tecnologia híbrida-leve (MHEV): um motor elétrico de baixa tensão (48V) que reduz o consumo de combustível sem abrir mão do desempenho.

Esse motor elétrico multifuncional atua em conjunto com o motor a combustão, gerando força mecânica para auxiliar nas acelerações e regenerando energia elétrica durante as desacelerações. O gerenciamento eletrônico otimiza a operação, focando na eficiência, garantindo uma economia de combustível de até 12%.
Picape com jeitão de SUV
Sabe aqueles sacolejos típicos de picapes montadas sobre chassi e feixe de molas? A Toro não tem. O segredo está na suspensão traseira multilink com rodas independentes, que trabalha conforme a necessidade de cada roda. A altura livre do solo (223 mm) e os ângulos de entrada (25,0°) e saída (29,0°) garantem uma boa pegada off-road.
Com 1.722 kg de peso em ordem de marcha e capacidade de carga de 670 kg (pouco mais de meia tonelada), a picape mostra que está mais voltada ao passeio do que ao trabalho severo. São 4.954 mm de comprimento, 2.982 mm de entre-eixos e uma caçamba de 937 litros. Se levarmos em conta quatro ocupantes adultos, sobra pouca margem de peso para a caçamba. Para comparação, a concorrente direta, Chevrolet Montana, que pesa 1.310 kg em ordem de marcha.
A aceleração da Toro de 0 a 100 km/h é feita em 10 segundos, com velocidade máxima de 197 km/h. A adição do sistema elétrico auxiliar de 48V (com máquina elétrica de 11,4 kW e bateria de íon-lítio) oferece suporte direto nas retomadas. No PBEV, as médias chegam a 10,5 km/l no ciclo urbano e 10,7 km/l no rodoviário com gasolina.
Start/Stop que liga, mas não desliga?
Um detalhe que chamou a atenção foi a ausência de um botão para desativar o sistema Start/Stop. Desde quando o recurso se popularizou, prefiro desligá-lo: acho incômodo no trânsito lento e sinto que tira a resposta rápida na saída do semáforo ou em trocas ágeis de faixa. Coisa de motorista ansioso!
Fui pesquisar para entender o motivo de não encontrar o botão no painel. A resposta veio rápido: a maioria dos veículos MHEV não permite desativar o Start/Stop para assegurar as metas de homologação e economia de combustível.
Para quem compartilha dessa preferência, existem no mercado os chamados módulos desativadores de Start/Stop. Trata-se de um dispositivo instalado atrás do painel ou na tomada de diagnóstico (OBD2) que mantém o motor funcionando continuamente. Os fornecedores prometem instalação plug-and-play (sem corte de fios), com custos entre R$ 180,00 e R$ 350,00.

Posição de dirigir elevada
Motoristas de SUVs gostam de destacar a vantagem de rodar em uma posição mais alta. Na Toro, a posição de dirigir é elevada e proporciona boa visibilidade, com ajustes elétricos suaves no banco do motorista.
A tela multimídia de 10,1 polegadas (em estilo “tablet”) reúne a câmera de ré, o controle do ar-condicionado dual zone e as mídias. O toque na tela poderia ser um pouco mais preciso, mas os comandos cumprem o papel. Particularmente, prefiro botões físicos fixos, e a Toro mescla as duas opções. No entanto, em um momento curioso, minha perna esbarrou sem querer no botão físico do volume no console, pregando um susto com o som alto. Tenho 1,80 m de altura e, em um carro de quase 5 metros, essa pequena imprecisão de ergonomia chama a atenção, embora um ajuste no banco resolva o problema.
Comprar ou não comprar?
A Toro Volcano tem preço sugerido no site da Fiat na casa de R$ 197.490. Na comparação direta, posiciona-se como uma opção mais em conta que a Ford Maverick e mais cara que a Chevrolet Montana. A Renault Duster Oroch é a mais acessível da categoria, embora utilize uma plataforma mais antiga.
Ou seja, a Toro é uma excelente escolha para quem busca conciliar o uso urbano diário com viagens no fim de semana ou ida ao sítio, sem exigências de off-road extremo nem manobras em vagas muito apertadas.
Por fim, a tecnologia MHEV é uma solução racional no processo de transição energética: o turbocompressor extrai o melhor do motor térmico, o motor elétrico auxilia no torque e na eficiência, e a bateria garante a alimentação dos sistemas auxiliares com menor consumo de combustível.
Fiat Toro chega para preencher uma lacuna no mercado. Ela também serve de anjo protetor da Strada, encarando a vice-liderança sem melindres
| Posição | Modelo | Categoria | Vendas (Unidades) |
| 1º | Fiat Strada | Compacta | 83.032 |
| 2º | Fiat Toro | Intermediária | 25.898 |
| 3º | Toyota Hilux | Média | 23.363 |
| 4º | VW Saveiro | Compacta | ~22.100 |
| 5º | Ford Ranger | Média | ~16.970 |
| 6º | Chevrolet S10 | Média | ~14.760 |
| 7º | Chevrolet Montana | Intermediária | ~13.200 |
| 8º | Ram Rampage | Intermediária | ~11.800 |
| 9º | Mitsubishi Triton | Média | ~6.400 |
| 10º | Nissan Frontier | Média | ~3.500 |