Ciclone mobiliza 90 profissionais para reconstruir torres

Ciclone mobiliza 90 profissionais para reconstruir torres

Depois do ciclone tropical mobilizar a reconstrução de torres, é natural avaliar que os cortes de geração renovável no Brasil podem chegar a 25% em 2026. Quem aponta é a Aurora Energy Research. A consultoria projeta cortes de até 40% na geração solar fotovoltaica e de até 21% na eólica terrestre. O cálculo considera apenas restrições energéticas e de confiabilidade do sistema.

No cenário de El Niño, o fator de capacidade da eólica terrestre no Nordeste sobe de 47% para 52%. Ao mesmo tempo, os afluentes hidrológicos de médio e longo prazo na região caem de 53% para 40% da média histórica. O resultado é mais produção renovável coincidindo com menos água nos reservatórios, o que amplia a necessidade de cortes.

O custo total dos cortes pode superar 8 bilhões de reais em 2026, mais que o dobro do cenário de referência, afirma a Aurora. A consultoria aponta risco para o fluxo de caixa dos projetos e para a capacidade de pagamento da dívida dos ativos contratados.

Despacho térmico pode agravar cenário

Condições hidrológicas desfavoráveis podem levar à contratação de usinas térmicas, o que reduz o espaço para renováveis. Ou seja, a Aurora cita a crise hídrica de 2021 como referência. Os reservatórios do Sudeste caíram de 69% para 29% de armazenamento em cinco meses naquele ano. O CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) autorizou 37 TWh de geração térmica de emergência, 32% da produção térmica total do período.

Em cenário de El Niño com seca severa, 3 GW adicionais de térmica fora da ordem de mérito podem somar até seis pontos percentuais aos cortes solares, elevando o corte fotovoltaico a até 47% em 2026, segundo a modelagem.

Força-tarefa para reconstruir torres de linhas de transmissão

Temperaturas mais altas também devem elevar a demanda por refrigeração, principalmente no Sudeste, absorvendo parte da geração excedente. O efeito é apenas parcial, segundo a Aurora: mesmo com o aumento do consumo, os cortes permanecem acima do cenário central, porque o crescimento da capacidade renovável supera o ganho de demanda.

A CEEE Equatorial e a AXIA Energia estão com uma força-tarefa para reconstruir torres de linhas de transmissão danificadas pelo ciclone extratropical que atingiu o extremo sul do Rio Grande do Sul. Ao todo, 26 estruturas foram afetadas, sendo 24 da AXIA Energia e duas da CEEE Equatorial.

As torres integram o sistema responsável por levar energia à rede de distribuição que abastece Santa Vitória do Palmar e Chuí. Mais de 90 profissionais participam da operação, iniciada após os danos provocados pelo evento climático que atingiu o Estado na última semana.

Força-tarefa para reconstruir torres de linhas de transmissão

A CEEE Equatorial disponibilizou geradores para atender serviços essenciais indicados pelas prefeituras de Santa Vitória do Palmar e Chuí, garantindo suporte às estruturas prioritárias dos municípios. A distribuidora também mantém o Plano de Contingência ampliado, com mais de 500 equipes em campo para reparar danos causados pelo ciclone em cerca de 34 dos 72 municípios de sua área de concessão.

A força-tarefa no extremo sul do Estado conta com estrutura logística que inclui equipamentos de grande porte e apoio aéreo. Um helicóptero é utilizado para transportar materiais e dar suporte à reconstrução das torres e à recuperação do sistema de transmissão de 138 kV.

Por fim, o ciclone extratropical provocou chuva intensa e fortes rajadas de vento no Rio Grande do Sul e esteve associado à formação de um tornado entre Pedro Osório e Arroio Grande, na Zona Sul do Estado.

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