Os veículos eletrificados aceleram setor de R$ 3 bilhões. Isso mesmo, o avanço da eletromobilidade entre 2025 e 2026 impulsionou uma nova cadeia de negócios. Trata-se da infraestrutura de recarga residencial.
Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que, entre janeiro e maio de 2026, foram emplacados cerca de 167 mil veículos eletrificados no país, crescimento de 135,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2025, o segmento já havia registrado recorde histórico, com mais de 220 mil unidades vendidas, representando aproximadamente 13% das vendas de veículos leves no Brasil.
A expectativa do setor é que 2026 encerre com mais de 300 mil veículos eletrificados comercializados. Embora a rede de eletropostos continue crescendo e já ultrapasse 21 mil pontos de recarga ativos em todo o país, o carregamento residencial vem se consolidando como a opção mais prática.
Segundo Júnior Miranda, CEO da GreenV, o crescimento da eletromobilidade também está criando um mercado bilionário. “Hoje, esse segmento já movimenta cerca de R$ 1 bilhão por ano no país e pode ultrapassar R$ 3 bilhões nos próximos anos. Estamos vendo surgir um ecossistema completo em torno da mobilidade elétrica”, destaca.
Infraestrutura elétrica ganha protagonismo
Com o aumento da frota eletrificada, cresce também a preocupação dos consumidores com a adequação das instalações elétricas residenciais. As opções de carregamento doméstico variam conforme a potência disponível. Utilizando uma tomada convencional e um carregador portátil de 1,8 kW, a recarga completa de um veículo pode ultrapassar 24 horas. Já os carregadores de parede, conhecidos como wallboxes, operam em potências de 7,4 kW, 11 kW ou até 22 kW, permitindo tempos de carregamento entre quatro e oito horas.
“Ainda existe muita improvisação no mercado, o que pode comprometer a segurança e a eficiência do carregamento. Antes da instalação, é fundamental realizar uma avaliação técnica da infraestrutura elétrica da residência”, alerta Miranda.
Os custos também vêm se tornando mais acessíveis à medida que a tecnologia ganha escala. Atualmente, os carregadores residenciais custam entre R$ 2,5 mil e R$ 8 mil, enquanto a instalação elétrica pode variar de R$ 2 mil a R$ 5 mil.
Energia solar amplia vantagens econômicas
Além da conveniência, a economia continua sendo um dos principais atrativos dos veículos eletrificados. Mesmo com o aumento do consumo de energia da residência, o custo por quilômetro rodado permanece significativamente inferior ao dos veículos movidos a combustíveis fósseis.
Outra tendência em expansão é a integração dos carregadores com sistemas de geração solar distribuída. A combinação entre energia fotovoltaica e mobilidade elétrica fortalece o conceito de autonomia energética e potencializa a redução dos custos de abastecimento.
Uma transformação que já começou
A rápida expansão da eletromobilidade demonstra que os veículos eletrificados deixaram de ocupar um nicho de mercado para fazer parte da rotina dos brasileiros. O movimento impacta hábitos de consumo, infraestrutura urbana e até mesmo o planejamento das residências.
“Estamos diante de uma transformação irreversível. O carro elétrico já faz parte da vida real dos brasileiros. Com ele, cresce também a necessidade de infraestrutura inteligente, segura e acessível dentro das residências. A mobilidade elétrica começa na garagem de casa. Quem compreender essa mudança estará conectado ao futuro da energia e ao novo comportamento do consumidor”, conclui Miranda.
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