Quando Brasil e Haiti se enfrentaram na Copa do Mundo de 2026, os holofotes estavam voltados para o desempenho das seleções. Fora dos gramados, porém, existe uma diferença muito maior do que a observada no futebol de ontem: o acesso à energia e à infraestrutura elétrica disponível à população de cada país.
O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com forte participação de fontes renováveis como hidrelétricas, eólica, solar e biomassa. O país também alcançou índices próximos da universalização do acesso à eletricidade, permitindo que praticamente toda a população tenha acesso a serviços básicos, atividades produtivas e conectividade digital.
Já o Haiti enfrenta uma realidade bastante diferente. Considerado um dos países mais pobres das Américas, o país convive há décadas com dificuldades para expandir a infraestrutura energética. Em diversas regiões, o fornecimento de eletricidade é limitado, intermitente ou inexistente, afetando diretamente a qualidade de vida da população e o desenvolvimento econômico.
Do terremoto à transição energética: o desafio de reconstruir o Haiti com energia limpa
A situação energética haitiana tornou-se ainda mais desafiadora após o terremoto de 2010 e os sucessivos episódios de instabilidade política e social registrados nos últimos anos. A reconstrução da infraestrutura elétrica avança lentamente e depende, em grande parte, do apoio de organismos internacionais e programas de cooperação.
Enquanto o Brasil opera um sistema elétrico integrado que conecta milhares de quilômetros de linhas de transmissão e conta com uma capacidade instalada superior a 200 GW, o Haiti ainda busca ampliar o acesso da população à energia e reduzir sua dependência de combustíveis fósseis importados, utilizados em usinas termelétricas de pequeno porte.
Apesar das dificuldades, o país caribenho possui potencial para expandir a geração renovável, especialmente por meio da energia solar. O elevado índice de irradiação solar ao longo do ano faz com que especialistas apontem a geração distribuída, os sistemas isolados e as microrredes como alternativas importantes para levar eletricidade a comunidades distantes dos grandes centros urbanos.
Dentro de campo, 11 contra 11. Fora dele, um abismo energético separa Brasil e Haiti
Nesse contexto, a experiência brasileira pode servir de referência. Programas de universalização do acesso à energia, o desenvolvimento do setor de biocombustíveis e o avanço recente da geração solar distribuída são exemplos frequentemente citados por organismos internacionais como modelos para países em desenvolvimento.
Mais do que uma questão tecnológica, o acesso à energia está diretamente ligado à melhoria de indicadores sociais. Escolas, hospitais, sistemas de abastecimento de água, telecomunicações e atividades produtivas dependem de um fornecimento elétrico confiável para funcionar adequadamente.
Por isso, o confronto também serviu para lembrar que a energia continua sendo um dos principais fatores de desenvolvimento das nações. Se dentro de campo a disputa dura apenas 90 minutos, fora dele o desafio haitiano de ampliar o acesso à eletricidade e fortalecer sua infraestrutura energética ainda é uma partida de longo prazo.
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