Combustível do futuro vai tirar carbono da atmosfera

Etanol carbono negativo? Nova pesquisa brasileira aponta caminho

O Estado de São Paulo deu mais um passo em sua estratégia de descarbonização ao anunciar a criação do primeiro projeto-piloto brasileiro de captura e armazenamento de carbono biogênico (BECCS) aplicado à produção de etanol de cana-de-açúcar. A iniciativa reúne a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Escola Politécnica da USP (Poli-USP) e representantes do setor produtivo.

O projeto será desenvolvido pelo recém-criado Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico (CTCCSBio), que terá como missão pesquisar e desenvolver soluções capazes de capturar o dióxido de carbono (CO₂) gerado durante a produção de etanol e armazená-lo de forma permanente no subsolo.

Como a cana-de-açúcar pode ajudar o Brasil a retirar CO₂ do ar

Com investimento estimado em R$ 30 milhões, a iniciativa conta ainda com a participação da Petrobras, do Grupo São Martinho e do escritório Rolim Goulart Cardoso Advogados. O objetivo é criar as bases tecnológicas, regulatórias e econômicas para que o Brasil avance na produção de combustíveis de baixa emissão e na geração de créditos de carbono.

A tecnologia BECCS é considerada uma das principais ferramentas globais para a remoção de carbono da atmosfera. No caso da cana-de-açúcar, o processo permite capturar e armazenar o CO₂ liberado durante a fabricação de etanol e açúcar. Como esse carbono já havia sido absorvido pela planta durante seu crescimento, o resultado pode ser um combustível com emissões líquidas negativas, conhecido como “etanol carbono negativo”.

De vilão a aliado: carbono do etanol será capturado e armazenado no subsolo

Segundo a secretária da Semil, Natália Resende, o projeto está alinhado às metas climáticas do Estado previstas no Plano de Ação Climática 2050 e no Plano Estadual de Energia 2050. A expectativa é que a iniciativa contribua para reduzir as emissões do setor agroindustrial, além de fortalecer a competitividade da cadeia sucroenergética paulista diante das exigências ambientais cada vez mais rigorosas dos mercados internacionais.

O CTCCSBio atuará em cinco frentes principais: tecnologia, infraestrutura, mercado, regulação e aspectos socioambientais. As pesquisas incluirão desde o estudo de formações geológicas aptas a armazenar carbono até o desenvolvimento de sistemas de captura, purificação e transporte do CO₂ gerado nas usinas de etanol e açúcar.

São Paulo quer enterrar CO₂ para transformar etanol em combustível do futuro

Maior produtor de etanol e açúcar do país, São Paulo busca consolidar sua posição como referência em inovação e transição energética. A expectativa é que o projeto contribua para transformar o potencial da cana-de-açúcar em uma nova fonte de remoção de carbono, abrindo caminho para uma economia cada vez mais sustentável e de baixo carbono.

O projeto parte de uma característica natural da cana-de-açúcar: durante seu crescimento, a planta absorve gás carbônico (CO₂) da atmosfera por meio da fotossíntese. Quando a cana é processada para produzir etanol, parte desse carbono é liberada novamente na forma de CO₂ durante a fermentação. Hoje, esse gás normalmente é lançado na atmosfera. A proposta do projeto é capturar esse CO₂ antes que ele seja emitido, comprimi-lo e transportá-lo para formações geológicas profundas, onde ficará armazenado de forma permanente.

Na prática, a cana retira carbono do ar, e o sistema impede que ele retorne à atmosfera ao final do processo industrial. Com isso, a produção de etanol pode passar a ter emissões negativas de carbono, removendo mais CO₂ do que emite. O projeto liderado pela USP vai estudar desde as tecnologias de captura do gás até os locais mais adequados para seu armazenamento seguro no subsolo, além de avaliar os aspectos econômicos, regulatórios e o potencial de geração de créditos de carbono. A expectativa é que a iniciativa ajude São Paulo a transformar sua forte indústria sucroenergética em uma importante ferramenta de combate às mudanças climáticas.

Veja outras notícias de energia:

Climatempo nas torres de transmissão de energia

Últimas notícias de energia!

compartilhe:

Twitter
LinkedIn
WhatsApp