Licenças ambientais para biometano triplicam em São Paulo

Natura inaugura planta de biometano em São Paulo

O número de licenças ambientais emitidas para projetos de biometano em São Paulo cresceu mais de 235% entre 2024 e 2025, segundo levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. O avanço ocorre em meio à expansão dos investimentos em combustíveis renováveis e à consolidação de regras específicas para o licenciamento desse tipo de empreendimento no estado.

Em números absolutos, a Cetesb emitiu 87 licenças ligadas a projetos de biogás e biometano em 2025, ante 26 no ano anterior. O movimento acompanha o avanço da agenda de descarbonização e o aumento do interesse da indústria por combustíveis renováveis voltados à substituição do gás natural fóssil.

Mais de 80 cidades possuem iniciativas ligadas à produção de biometano

Os dados também mostram um processo de interiorização dos investimentos. Apenas 6% das licenças emitidas em 2025 estão concentradas na capital paulista, enquanto 94% se distribuem por municípios do interior e outras regiões do estado. Atualmente, 81 cidades possuem iniciativas ligadas à produção de biometano.

Os setores de resíduos sólidos e saneamento lideram a demanda por licenciamento ambiental, respondendo por 41,2% das licenças vigentes em 2025, o equivalente a 47 projetos voltados à produção de combustível renovável a partir de resíduos urbanos e efluentes.

Pontos de biometano estão espalhados pelo Estado

O avanço da cadeia do biometano também começa a ganhar escala industrial. Em Paulínia (SP), entrou em operação a planta da OneBio, considerada a maior da América Latina para produção de biometano.

Instalada no Ecoparque Paulínia, da Orizon, a unidade transforma biogás gerado pela decomposição de resíduos urbanos em combustível renovável e possui capacidade para produzir até 225 mil metros cúbicos por dia.

Em Cajamar (SP), a Natura passou a utilizar biometano em parte de sua operação industrial. Uma das caldeiras da companhia já opera com até 98% do abastecimento baseado no combustível renovável, com consumo estimado de cerca de 600 metros cúbicos por dia.

São Paulo tem nove plantas em funcionamento

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, São Paulo possui atualmente nove plantas autorizadas de biometano, com capacidade conjunta de produção próxima de 755 mil metros cúbicos por dia. Outras sete unidades estão em fase de autorização e podem elevar esse volume para mais de 1 milhão de metros cúbicos diários até o fim de 2026.

Estudo apoiado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo estima que o potencial paulista para produção de biometano possa atingir 6,4 milhões de metros cúbicos por dia, consolidando o estado como um dos principais polos do combustível renovável no país.

O biometano é produzido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos orgânicos e efluentes e vem sendo apontado como alternativa para reduzir emissões em setores intensivos em energia, como indústria, transporte e agronegócio.

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