Veja o tamanho da disparada dos combustíveis

Veja o tamanho da disparada dos combustíveis

Os preços dos combustíveis registraram alta generalizada no Brasil em março, com destaque para o diesel S-10, que acumulou avanço de 20,9% na média nacional na terceira semana do mês em comparação com a última semana de fevereiro. Os dados são do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

De acordo com o estudo, o preço médio do diesel S-10 no país saltou de R$ 6,18 para R$ 7,47 por litro no período. Já a gasolina comum avançou 6,11%, passando de R$ 6,38 para R$ 6,77, enquanto o etanol hidratado teve alta mais moderada, de 1,74%, saindo de R$ 4,70 para R$ 4,79.

Nas capitais, o movimento foi semelhante, ainda que com menor intensidade. O diesel subiu de R$ 6,22 para R$ 7,24 por litro, enquanto a gasolina foi de R$ 6,37 para R$ 6,75. O etanol, por sua vez, variou de R$ 4,80 para R$ 4,84.

Galopada do barril internacional

Os aumentos ocorrem em um contexto de forte valorização do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent, referência para o Brasil, acumulou alta de 40,6% em cerca de um mês, embora já tenha recuado em relação aos picos recentes, quando superou os US$ 110. O movimento é influenciado, sobretudo, pelas tensões no Oriente Médio.

Esse cenário afeta diretamente os preços domésticos dos combustíveis de forma mais imediata no caso da gasolina e do diesel, e indireta no etanol. O impacto é mais intenso sobre o diesel, já que o Brasil ainda depende significativamente de importações para suprir a demanda interna.

No recorte regional, as maiores altas foram registradas em:

• Tocantins: +29,7% (+R$ 1,79)

• Bahia: +29,1% (+R$ 1,78)

• Goiás: +28,9% (+R$ 1,77)

• Paraná: +26,6% (+R$ 1,59)

• São Paulo: +21,8% (+R$ 1,35)

• Santa Catarina: +21,8% (+R$ 1,32)

• Piauí: +20,9% (+R$ 1,30)

Outros fatores que justificam a alta

A variação nos reajustes pode ser atribuída a uma combinação de fatores geográficos e econômicos. Estados mais distantes de refinarias e portos de importação tendem a sofrer maior pressão de custos logísticos, com o frete rodoviário encarecendo o produto ao longo da cadeia de distribuição.

Além disso, fatores locais como nível de estoques, concorrência entre postos e variações sazonais de demanda, especialmente em regiões com forte atividade agrícola, também influenciam o ritmo de repasse dos preços ao consumidor.

A atuação de refinarias privadas, que podem ajustar seus preços de forma mais ágil ou intensa em resposta às oscilações internacionais, também contribui para diferenças regionais mais acentuadas, sobretudo no mercado de diesel.

Escassez do diesel no país

Mais de 150 municípios do Rio Grande do Sul relataram problemas relacionados à escassez no abastecimento de óleo diesel.A informação consta em um boletim da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). Os 166 potos atingidos representam um terço das cidades do Rio Grande do Sul. A capital, Porto Alegre, não consta como afetada.

De acordo com a federação gaúcha, os sinais de desabastecimento acendem “um sinal de alerta para o funcionamento dos serviços essenciais nas cidades”.

Prefeituras estão direcionando o combustível para áreas essenciais, como serviços na área da saúde e transporte de pacientes. Obras e atividades que dependem de maquinário foram suspensas.

Ações do governo

O governo tem tomado medidas para atenuar o repasse da alta global ao consumidor final. Uma delas foi a zeragem das alíquotas dos tributos federais que incidem sobre o diesel, o Pis e a Cofins.

O governo também trabalha com a subvenção às empresas (espécie de reembolso) de R$ 0,32 para cada litro de diesel produzido ou importado. Além disso, há a proposta para que estados também colaborem com subsídio ao diesel.

 

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