Bateria armazena eletricidade e hidrogênio em um só lugar

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Pesquisadores chineses desenvolveram a primeira bateria capaz de armazenar simultaneamente eletricidade e hidrogênio em condições ambientais normais. O protótipo usa uma arquitetura inovadora do tipo gás-sólido baseada em íons hidreto, abrindo uma nova possibilidade. Ou seja, a de superar um dos principais desafios da economia do hidrogênio: o armazenamento seguro e eficiente.

Diferentemente das soluções convencionais, que exigem compressão do hidrogênio a pressões de até 700 atmosferas ou resfriamento a temperaturas criogênicas próximas do zero, a nova tecnologia opera em temperatura e pressão ambiente. Com isso, reduz-se a complexidade do sistema, melhora-se a segurança e diminui-se o consumo de energia para armazenar o gás.

Quem fez a bateria que armazena eletricidade e hidrogênio?

O desenvolvimento foi conduzido por pesquisadores do Instituto Dalian de Físico-Química, na China. A equipe criou uma bateria de íons hidreto gás-sólido que utiliza hidrogênio gasoso como eletrodo positivo e magnésio metálico como eletrodo negativo.

Durante a descarga, o hidrogênio é convertido em íons hidreto, enquanto o magnésio reage formando hidreto de magnésio. No carregamento ocorre o processo inverso, permitindo armazenar simultaneamente energia elétrica e hidrogênio. Essa característica faz do sistema uma espécie de bateria híbrida, capaz de funcionar tanto como dispositivo de armazenamento de energia quanto como reservatório de hidrogênio.

Os íons hidreto são considerados promissores para aplicações em baterias devido à sua elevada densidade energética. No entanto, sua instabilidade em condições normais sempre representou um obstáculo para aplicações práticas. Para contornar essa limitação, os pesquisadores desenvolveram novos materiais eletrolíticos capazes de transportar esses íons de forma estável e eficiente.

Quando a bateria fica pronta?

O protótipo apresentou resultados expressivos em laboratório. Durante os testes, a bateria alcançou capacidade inicial de descarga de 1.526 mAh por grama. Quando submetida a uma tensão de 0,3 volt, conseguiu liberar aproximadamente 6% de seu peso em hidrogênio à temperatura ambiente. Após 60 ciclos de carga e descarga, o sistema manteve mais de 70% de sua capacidade original e operou de forma estável em temperaturas entre -20°C e 90°C.

Os pesquisadores também montaram uma pilha formada por dez células conectadas em série. O conjunto gerou mais de 2,4 volts e foi capaz de alimentar um LED, demonstrando a viabilidade do conceito.

Embora ainda esteja restrita à escala laboratorial, a tecnologia representa uma nova abordagem para integrar armazenamento de energia elétrica e hidrogênio em um único dispositivo. Se evoluir para aplicações comerciais, poderá contribuir para reduzir custos e simplificar a infraestrutura necessária para ampliar o uso do hidrogênio como fonte de energia limpa.

Conclusão

Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda está em estágio inicial e depende do desenvolvimento de novos materiais e combinações. O potencial, porém, é significativo. Como o hidrogênio é o elemento mais abundante do Universo, ele pode se tornar uma alternativa mais barata e praticamente inesgotável em comparação ao lítio. Além disso, por ser extremamente leve, o íon hidreto abre caminho para baterias com densidade energética muito superior às atuais, capazes de armazenar mais energia com menos peso. Outro diferencial está na segurança: ao contrário das baterias de íons de lítio, os sistemas baseados em hidreto podem ser projetados para oferecer maior estabilidade e menor risco de reações perigosas, ampliando seu potencial para aplicações futuras em mobilidade e armazenamento de energia.

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