Um novo relatório global da BloombergNEF confirma que a transição energética entrou definitivamente em uma nova fase. Segundo o Energy Transition Investment Trends 2026, os investimentos globais em tecnologias de baixo carbono atingiram US$ 2,3 trilhões em 2025. Trata-se do maior volume já registrado, com crescimento de 8% em relação ao ano anterior.
O estudo, considerado uma das principais referências internacionais sobre financiamento da transição energética, mostra que, mesmo em um cenário marcado por instabilidade geopolítica, o fluxo de capital para energia limpa se manteve.
Eletrificação lidera, redes ganham protagonismo
O transporte eletrificado consolidou-se como o maior destino dos investimentos globais, somando US$ 893 bilhões em 2025, alta de 21% em relação ao ano anterior. O avanço dos veículos elétricos e da infraestrutura de recarga confirma o principal vetor da transição energética.
Já as redes elétricas aparecem como outro destaque do relatório, com US$ 483 bilhões investidos, crescimento de 17%. O dado reflete a urgência de modernizar e expandir a infraestrutura elétrica para absorver o aumento da demanda.
Por outro lado, os investimentos em energias renováveis totalizaram US$ 690 bilhões, registrando queda de 9,5%, impactados principalmente por reformas no mercado de energia da China.
Fonte nuclear tem leve retração
Embora os investimentos em energia nuclear tenham alcançado US$ 36 bilhões em 2025, leve retração em relação ao ano anterior, o relatório destaca demanda por energia firme e de baixo carbono.
Para a Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN), os dados globais reforçam a necessidade de uma transição energética baseada em diversificação tecnológica e planejamento de longo prazo.
“O relatório deixa claro que o mundo está investindo pesado em eletrificação e infraestrutura elétrica. Para sustentar esse movimento com segurança e confiabilidade, fontes como a energia nuclear são essenciais. No Brasil, a expansão nuclear contribui diretamente para a segurança energética, a estabilidade do sistema elétrico e a redução de emissões”, afirma Celso Cunha, presidente da ABDAN.
Mercado financeiro mantém tração
O levantamento da BloombergNEF também aponta um avanço expressivo no financiamento da transição energética. A emissão global de dívida chegou a US$ 1,2 trilhão, crescimento de 17%, enquanto o financiamento via mercado de capitais para tecnologias climáticas cresceu 53%, após três anos de retração. Segundo o relatório, o investimento médio anual global poderá alcançar US$ 2,9 trilhões entre 2026 e 2030.
Brasil entre os dez maiores mercados
O Brasil aparece como o 9º maior mercado global em investimentos em transição energética, com US$ 38 bilhões em 2025, concentrados majoritariamente em fontes renováveis. Para a ABDAN, esse posicionamento representa uma oportunidade estratégica para ampliar investimentos. Ou seja, em infraestrutura elétrica, diversificação da matriz e fortalecimento do papel da energia nuclear no planejamento energético nacional.
“O desafio agora é transformar planejamento em execução. O volume global de investimentos mostra que capital existe. O que diferencia os países é a capacidade de criar ambientes regulatórios estáveis, previsíveis e tecnicamente sólidos para atrair esses recursos”, completa Cunha.





