Brasil prepara salto bilionário em BESS para reforçar sistema

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O Brasil está prestes a dar um passo histórico no setor elétrico com a inclusão de baterias de armazenamento (BESS) no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026. A medida, oficializada pelo Ministério de Minas e Energia, aposta em uma tecnologia que hoje opera em escala reduzida no país, com menos de 200 MW, mas que pode alcançar até 3 GW nos próximos anos.

Ao exigir sistemas capazes de fornecer energia por pelo menos quatro horas consecutivas, o governo abre espaço para um mercado visto como estratégico para garantir o suprimento elétrico em momentos de baixa geração solar e eólica.

O avanço regulatório ocorre em um cenário de pressão crescente sobre o sistema elétrico. Projeções da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) indicam risco de déficit de até 55 GW de potência até 2034, impulsionado pelo aumento da demanda, pela expansão de fontes renováveis intermitentes e pelas limitações hídricas.

Como o Brasil prepara BESS para sistema de energia

Nesse contexto, o armazenamento de energia ganha força como alternativa para ampliar a estabilidade do sistema e reduzir o acionamento de usinas térmicas, que possuem custo elevado e impacto direto nas tarifas. Segundo a ABSAE (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), sistemas de baterias são cerca de 46% mais baratos do que novas usinas a gás e podem gerar economia de até R$ 3 bilhões por ano em encargos da conta de luz para cada 2 GW instalados.

A inclusão das baterias no modelo de capacidade marca uma mudança estrutural no setor elétrico, ao priorizar flexibilidade e gestão da energia, e não apenas a expansão da geração. O LRCAP 2026 pode destravar cerca de R$ 10 bilhões em investimentos já no primeiro leilão. Em dez anos, a ABSAE estima que o mercado de armazenamento tenha potencial para movimentar até R$ 77 bilhões até 2034.

“O armazenamento tem papel estratégico para a segurança e a eficiência do sistema elétrico brasileiro. O país precisa criar condições para transformar esse potencial em realidade”, afirma Fabio Lima, porta-voz da ABSAE. Segundo ele, a definição regulatória prevista pelo Ministério de Minas e Energia ainda neste mês será decisiva para viabilizar o mercado.

Novo cenário de BESS cria oportunidades

O novo cenário também cria oportunidades para empresas especializadas em armazenamento e gestão de energia. “As baterias deixam de ser uma tecnologia complementar e passam a integrar a infraestrutura essencial do setor elétrico”, afirma Alan Henn, CEO da Voltera.

Para Mário Marques, professor de economia da SKEMA Business School, o avanço do armazenamento coloca o Brasil diante de uma decisão estratégica que envolve tecnologia, competitividade e segurança regulatória. “O custo e a confiabilidade da energia são fatores determinantes para a produtividade da economia.

Brasil tem potencial para ser competitivo

O principal desafio é construir um ambiente regulatório que acompanhe a velocidade das transformações tecnológicas e garanta previsibilidade aos investimentos”, diz.

Com o LRCAP 2026 no horizonte, o Brasil entra em uma nova fase do setor elétrico, em que armazenamento, inovação e eficiência passam a caminhar juntos. Mais do que uma discussão técnica, a estruturação desse mercado terá impacto direto sobre tarifas, investimentos, segurança energética e competitividade da economia brasileira na próxima década.

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