Regeneração de energia ganha espaço na indústria

Regeneração de energia ganha espaço na indústria

A busca por maior eficiência energética nas plantas industriais tem impulsionado a adoção de sistemas regenerativos, tecnologia que permite reaproveitar parte da energia gerada durante o funcionamento de máquinas e equipamentos. Em vez de ser dissipada em forma de calor, essa energia retorna ao sistema elétrico da própria instalação, reduzindo desperdícios e o consumo.

Segundo especialistas do setor, a solução se mostra especialmente eficaz em processos industriais com alta inércia mecânica ou ciclos frequentes de desaceleração, como ocorre em pontes rolantes, elevadores, guindastes, prensas, centrífugas e transportadores em declive.

De acordo com Renato Damasceno Bedendi, supervisor de produto da Mitsubishi Electric no Brasil, a tecnologia transforma uma perda energética comum em ganho operacional. “Os sistemas regenerativos recuperam a energia que seria desperdiçada e a devolvem à rede interna da instalação, o que gera economia e melhora a estabilidade elétrica da planta”, afirma.

Como funciona a regeneração de energia

Nos sistemas industriais convencionais, o inversor de frequência fornece energia elétrica ao motor, que a converte em potência mecânica para movimentar equipamentos. Em determinadas condições de operação, porém, o próprio sistema mecânico pode impulsionar o motor acima da frequência elétrica aplicada. Nesse momento ocorre a chamada regeneração de energia.

Sem um sistema específico para aproveitá-la, essa energia excedente é dissipada por resistores de frenagem, gerando perdas térmicas e aumentando o consumo energético total da operação.

Com o uso de conversores regenerativos, por outro lado, essa potência é convertida novamente em corrente alternada, sincronizada com a rede elétrica da instalação e redistribuída para outros equipamentos conectados. O resultado é a redução da demanda energética junto à concessionária e ganhos de eficiência no processo produtivo.

Aplicações e ganhos operacionais

Entre as soluções disponíveis no mercado estão conversores regenerativos capazes de atender diferentes faixas de potência. Por exemplo, a linha FR-XC atende aplicações entre 7,5 kW e 280 kW e integra-se a sistemas de diversos fabricantes.

A tecnologia também permite modernizar instalações industriais já existentes. Em muitos casos, as indústrias podem incorporar conversores regenerativos aos sistemas atuais sem substituir toda a infraestrutura, o que facilita projetos de retrofit voltados à eficiência energética.

Os equipamentos trabalham com sincronização precisa de tensão, frequência e fase com a rede elétrica, garantindo estabilidade operacional e evitando interferências em outros dispositivos conectados. Além disso, contam com filtros de entrada que ajudam a melhorar a qualidade da energia elétrica e a reduzir distorções no sistema.

Diferentes modos de operação

Entre as alternativas mais utilizadas está a regeneração com barramento comum, também chamada de conexão em série, aplicada em sistemas mono ou multieixos. Nessa configuração, o conversor controla o barramento de corrente contínua e gerencia a energia devolvida pelo motor.

Outra opção é o modo supressor de harmônicas, que combina recuperação energética com redução da distorção harmônica de corrente (THDi). Nesse caso, além de reaproveitar energia, o sistema melhora o fator de potência e a qualidade da energia elétrica da instalação.

Há ainda a chamada regeneração eficiente, baseada em conexão em paralelo. Nesse modelo, os engenheiros dimensionam o conversor de acordo com a potência efetivamente regenerada, que pode variar entre 10% e 70% da potência nominal do motor, dependendo da aplicação.

Finalmente, diante da crescente pressão pela redução de custos operacionais e das metas de sustentabilidade, especialistas apontam que as tecnologias de recuperação energética tendem a ganhar cada vez mais espaço na indústria. Ao reduzir perdas e melhorar o aproveitamento da energia disponível, esses sistemas passam a integrar a estratégia de eficiência e competitividade das operações industriais.

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