O mercado brasileiro de veículos elétricos de duas rodas cresce em ritmo acelerado, mas segue pequeno perto do total de motocicletas vendidas no país. Segundo a Fenabrave, os emplacamentos do segmento elétrico subiram 47,26% no primeiro trimestre de 2026, de 3.453 para 5.085 unidades ante o mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, o mercado geral de motocicletas cresceu 20,61%, para 571.610 unidades.
Mesmo com a alta, os elétricos ainda representam menos de 1% das motos emplacadas no Brasil, fatia próxima de 0,4% segundo levantamentos do setor. A comparação ajuda a entender o tamanho do desafio: enquanto os carros eletrificados já correspondem a cerca de 10,7% das vendas totais de veículos leves, as duas rodas seguem dominadas pela combustão.
Um mercado concentrado em poucas marcas
Cinco fabricantes concentram cerca de 67% das vendas de motos elétricas no país, segundo dados do setor. A VMoto lidera o segmento com foco em uso urbano, seguida por marcas como Watts, Shineray e Super Soco. A chinesa Yadea, uma das maiores fabricantes globais do setor, também expandiu a presença no Brasil nos últimos anos, com produção local em Manaus e ampliação da rede de concessionárias.
O histórico recente do setor, porém, também guarda casos de dificuldade. A Voltz, uma das marcas nacionais mais conhecidas do segmento, perdeu espaço após atrasos na entrega de motos, ações judiciais de consumidores e entrada em recuperação judicial, episódio que reforçou entre analistas do setor a cautela de compradores em relação a marcas menos consolidadas.
Preço, infraestrutura e falta de incentivo nacional seguem como obstáculos
Diferente do mercado de carros elétricos, que conta com programas federais como o Move Brasil, as motos elétricas ainda não têm uma política nacional de incentivo. Iniciativas até agora se limitam a benefícios pontuais, como o estorno parcial de IPVA em São Paulo, e a uma linha de crédito federal restrita a entregadores de uma única plataforma de aplicativo, sem alcançar o consumidor final ou outras empresas do setor.
O preço inicial também segue como barreira: motos elétricas de entrada custam, em média, valor próximo ou superior ao de modelos a combustão populares, como a Honda CG 160, ainda que fabricantes argumentem que o custo total de propriedade tende a ser menor ao longo do tempo, com economia em combustível e manutenção.
Diversificação do portfólio
Apesar dos entraves, fabricantes começam a diversificar o portfólio para além das scooters utilitárias voltadas a entregadores, público que hoje concentra boa parte da demanda do segmento. Modelos com design mais elaborado e maior desempenho, como a Keeness, moto elétrica de perfil esportivo lançada pela Yadea no Brasil, tentam atrair um público que busca a moto elétrica também pela experiência de pilotagem, não apenas pela economia operacional.
Para o setor, essa diversificação é sinal de amadurecimento, mas seu impacto real ainda depende de fatores estruturais, como expansão da rede de recarga, regras mais claras de licenciamento e, sobretudo, uma política de incentivo que hoje falta ao segmento de duas rodas.



