MERCADO AO VIVO sexta-feira, 25 de setembro de 2026
USD/BRL: R$ 5,42 (+0.32%) EUR/BRL: R$ 5,98 (-0.15%) IBOVESPA: 134.250 pts (+0.84%) TARIFA MÉDIA KWH: R$ 0,82 BARRIL BRENT: US$ 74,10 (-1.2%) BATERIAS LFP: US$ 53/kWh
Mercado

Gasolina em alta: será que a regra dos 70% para o etanol ainda vale?

Etanol carbono negativo? Nova pesquisa brasileira aponta caminho
Etanol carbono negativo? Nova pesquisa brasileira aponta caminho

Com a gasolina em alta, motoristas voltam a fazer as contas para ver se o etanol ainda vale a pena.  Mas será que a regra dos 70% para o etanol ainda vale? Enquanto isso, o governo federal estuda aumentar a mistura de biocombustíveis nos combustíveis fósseis. A ideia é criar uma viabilidade técnica das misturas E35 (35% de etanol na gasolina) e B25 (25% de biodiesel no diesel).

Porém, antes que a nova mistura chegue, a tradicional regra dos 70% já não vem mais dando conta de orientar o motorista sobre a melhor escolha. O cálculo simples, que por décadas serviu de referência ao consumidor brasileiro na hora de abastecer, não tem mais precisão à medida que variáveis econômicas, avanços tecnológicos e questões ambientais ganharam peso.

Ou seja, mais do que nunca, a decisão passa a depender do contexto, do perfil de uso e até das expectativas em relação ao mercado de energia. Veículos mais modernos reagem de forma distinta a cada combustível, com padrões de consumo que já não seguem as referências. Em alguns casos, a eficiência do etanol evoluiu; em outros, a gasolina entrega desempenho mais consistente.

A regra dos 70% não morreu, ela ainda funciona como ponto de partida. Mas ela foi calibrada para um Brasil de 2003, com gasolina E27 e motores flex de primeira geração. Em 2026, a conta correta depende de três coisas: qual carro você tem, em qual estado você está e qual período diante da volatilidade e da safra o consumidor está.

Como saber se o etanol compensa em relação à gasolina?

Como o etanol tem menor poder energético, entregando cerca de 70% do rendimento da gasolina, costuma-se usar uma conta simples para orientar os motoristas de veículos flex na hora da escolha do combustível.

A lógica é simples: multiplica-se o preço da gasolina por 0,7 e compara-se o resultado com o valor do etanol. Se o número encontrado for menor que o preço do etanol, a gasolina é mais vantajosa. Se for maior, o etanol passa a compensar.

Por exemplo, se a gasolina custa R$ 7,20, o ponto de equilíbrio fica em R$ 5,05. Nesse cenário, abastecer com etanol só faz sentido se o litro estiver abaixo de R$ 5.

Dados recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que o etanol segue mais competitivo, em média, em apenas três estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Nessas regiões, a relação entre os preços gira em torno de 69%, levemente abaixo do limite clássico de 70%. Ainda assim, a margem é estreita, o que indica que sutis variações nos preços já podem alterar a vantagem entre os combustíveis.

Mas a conta do posto está errada?

A famosa regra dos 70% sobreviveu aos anos e já virou senso comum, mas a realidade de 2026 exige atualização. O preço médio do etanol no Brasil subiu de R$ 4,64 para R$ 4,70 o litro, alta de 1,29%, segundo levantamento da ANP. Já a gasolina fechou a média nacional em R$ 6,46 o litro em março.

Porém, desde agosto de 2025, a gasolina E30 entrou em vigor, ampliando a mistura obrigatória de etanol anidro de 27,5% para 30%. Ou seja, isso muda a equação, uma vez que o motorista está comprando etanol embutido. Portanto, aquela gasolina ‘pura’ do cálculo original não existe mais no posto.

Já no caso dos motores flex modernos, o rendimento com etanol é diferente. Um motor flex moderno pode render até 75% com etanol em relação à gasolina, em vez dos 70%. Tudo isso por conta da maior octanagem do etanol, que permite mais avanço de ignição. Veículos lançados a partir de 2020 frequentemente alcançam paridades de 73% a 75% sem perda de desempenho.

Cada conta com um tipo de motor?

Com gasolina a R$ 6,46 (média nacional, semana de 8–14/mar/2026):

Perfil do carro Coeficiente real Etanol compensa até
Flex aspirado pré-2015 0,65 – 0,70 R$ 4,20 – R$ 4,52
Flex aspirado pós-2015 0,70 R$ 4,52
Flex turbo moderno 0,73 – 0,75 R$ 4,72 – R$ 4,85

Para quem está em SP: o etanol fechou a semana a R$ 4,52, com paridade de 69,11%. No caso de carros antigos, a recomendação é utilizar gasolina. Para turbo moderno: etanol compensa.

Conclusão da regra dos 70%

A regra dos 70% não deixou de existir. Ela ainda serve como ponto de partida. Mas foi calibrada para um Brasil de 2003, com gasolina E27 e motores flex de primeira geração. Em 2026, a conta correta depende de três fatores: o carro que você dirige e o estado onde você abastece. Na média nacional, a gasolina tende a levar vantagem na maior parte do tempo.

Mas como saber o real consumo do carro?

Na avaliação de eficiência veicular, o Inmetro não se limita ao tradicional km/l e também considera o consumo por energia, medido em joules. Isso ocorre porque cada combustível possui um poder energético diferente do etanol, por exemplo, que contém menos energia por litro do que a gasolina.

Para corrigir essa distorção, o consumo é convertido em energia por distância (MJ/km), permitindo uma comparação mais precisa entre veículos, independentemente do combustível utilizado. Na prática, dois carros podem registrar o mesmo km/l, mas demandar quantidades distintas de energia para se movimentar, o que revela níveis diferentes de eficiência. Por isso, a medição em joules é considerada tecnicamente mais adequada, ao indicar quanta energia o veículo realmente consome para rodar.

Veja também:

BorgWarner entra estrategicamente no segmento de Data Centers

Climatempo nas torres de transmissão de energia

Últimas notícias de energia!

Redação

Redação

Formado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e pós-graduado em Globalização e Cultura pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Iniciou a carreira em 1997, na rádio Trianon-AM. Como repórter, atuou nas redações do WebMotors e d’O Estado de S. Paulo. Foi assessor de imprensa da Yamaha Motor e Mitsubishi Motor. Em agências, fez atendimento à imprensa para empresas como: Jeep, Goodyear, Marfrig Global Foods, SulAmérica e Messer Gases. Sempre apaixonado por transição energética e mobilidade, criou o Eletric Day, blog especializado em notícias do segmento de energia.

Ver mais artigos de Redação →