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Legislação

Fundos de minerais críticos podem ajudar outros minérios

Empresa dos EUA compra mineradora no Brasil de terras raras
Empresa dos EUA compra mineradora no Brasil de terras raras

Ao incluir os “minerais estratégicos” ao lado dos “minerais críticos”, o projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados abre espaço para que incentivos fiscais, creditícios e recursos públicos destinados ao fortalecimento de cadeias consideradas essenciais para a transição energética também possam beneficiar minerais já consolidados na pauta exportadora brasileira, como o minério de ferro.

O minério de ferro, terceiro principal produto de exportação do Brasil, não integra a lista de minerais críticos ou terras raras que hoje estão no centro da disputa geopolítica entre potências como China e Estados Unidos, especialmente por sua relevância para setores de tecnologia, defesa e energia limpa.

Ainda assim, o substitutivo do PL 2780/2024, relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), inclui na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) uma categoria ampla de “minerais estratégicos”, definidos como aqueles relevantes para a geração de superávit comercial, desenvolvimento regional ou tecnológico.

Projeto permite que qualquer mineral exportado se enquadre na definição

Para o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e engenheiro Bruno Milanez, a redação do projeto permite que praticamente qualquer mineral exportado se enquadre nessa definição. Segundo ele, isso ocorre porque o texto concede os mesmos benefícios econômicos, fiscais e tributários tanto aos minerais críticos quanto aos estratégicos.

“O PL gera incentivos para o setor mineral como um todo. Apesar de diferenciar minerais críticos e estratégicos, os benefícios acabam valendo para ambos”, afirmou Milanez.

O projeto, que agora segue para análise do Senado, cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com previsão inicial de R$ 2 bilhões em recursos da União e possibilidade de aportes privados que podem elevar o montante para cerca de R$ 5 bilhões.

A ideia pode estimular a industrialização mineral

O texto também prevê incentivos fiscais adicionais estimados em até R$ 5 bilhões a partir de 2030, por meio do Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE).

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que representa empresas do setor, defende a proposta e afirma que ela pode estimular a industrialização mineral no país. O presidente da entidade, Pablo Cesário, avalia que não há conflito entre incentivar minerais críticos e cadeias já competitivas, como a do minério de ferro.

“Não faz sentido incentivar a exportação de minério de ferro porque o Brasil já é altamente competitivo nesse mercado. O papel do governo é identificar onde há necessidade de estímulo”, disse.

Ibram sustenta que há diferentes fases da produção mineral

O debate também envolve a forma como o projeto trata as etapas da cadeia mineral. Milanez critica o fato de o texto não diferenciar beneficiamento de transformação mineral, o que, segundo ele, pode direcionar recursos públicos para atividades básicas já realizadas pelas mineradoras, sem necessariamente ampliar a industrialização no país.

“O beneficiamento é uma etapa que toda mineradora já faz, ligada à separação do minério da terra e de impurezas. O projeto pode acabar financiando práticas já consolidadas, sem estimular etapas mais avançadas da cadeia produtiva”, argumentou.

Já o Ibram sustenta que as diferentes fases da produção mineral são interdependentes e que não seria possível separar beneficiamento e transformação industrial dentro da cadeia econômica do setor.

Portanto, o projeto estabelece que os créditos fiscais deverão ser proporcionais à agregação de valor dos minerais críticos e estratégicos. Porém, deixa os critérios para regulamentação futura pelo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). Ou seja, órgão que será criado caso o texto seja aprovado definitivamente.

Com informação da Agência Brasil

 

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Rodrigo Samy

Rodrigo Samy

Jornalista e assessor de imprensa com 25+ anos de experiência. Passagens por Estadão, WebMotors, Yamaha e Mitsubishi, além de atendimento a marcas como Jeep, Goodyear e SulAmérica. Fundador do Electric News, portal focado em mobilidade elétrica e transição energética.

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