Pedalar numa e-bike parece uma tarefa para lá de simples, porém há alguns pequenos hábitos que fazem toda a diferença na hora de render mais quilômetros com uma única carga.
Segundo Bruno Loução, executivo de produtos da rede Moura, entender como o motor e a bateria trabalham juntos é o primeiro passo. Ou seja, só assim é possível aproveitar melhor a tecnologia sem abrir mão do desempenho.
A seguir, ele explica os principais fatores que influenciam a autonomia e como o ciclista pode ajustar sua pedalada para economizar energia no dia a dia.
Qual nível de assistência escolher?
Use o nível mais adequado ao percurso, não o máximo o tempo todo. A maioria dos modelos tem cinco níveis de assistência (alguns têm três), e quanto maior a potência escolhida, mais energia sai da bateria. Ajuste também as marchas do câmbio: como o motor substitui parte do pedalar, a marcha certa faz o motor trabalhar no regime mais eficiente, ganhando autonomia e reduzindo o desgaste das peças. Modelos com câmbio de até oito marchas, como as bicicletas Ella, ajudam tanto em subidas quanto para deixar a pedalada mais leve e usando o motor de modo mais econômico.
Terreno plano estende a autonomia?
Sim. Em terrenos planos, o motor precisa de menos potência para manter a velocidade, o que faz a bateria durar mais. Subidas longas ou íngremes, por outro lado, exigem bastante energia, principalmente com o motor na assistência máxima. O mesmo vale para o acelerador (presente em todas as e-bikes atuais): ele substitui 100% do esforço do pedal, é útil para ultrapassagens pontuais ou quando o ciclista está cansado, mas quanto mais usado, mais rápido a bateria acaba.
O que pesa mais: esforço na pedalada ou intensidade do aclive?
Os dois contam, mas o aclive costuma pesar mais, já que a e-bike precisa vencer a gravidade. A lógica é simples: quanto mais o motor precisa assistir, seja porque você pedala menos ou porque o terreno exige mais, mais energia ele consome. Pedalar com marcha adequada e cadência confortável reduz o trabalho do motor e aumenta a autonomia.
Velocidade moderada ajuda?
Sim. Em velocidades mais altas, a resistência do ar aumenta bastante e o motor consome mais para manter o ritmo. Velocidade moderada, com pedalada constante e acelerações graduais, costuma render mais autonomia.
Cargas rápidas e curtas são melhores que as longas e noturnas?
Não necessariamente. Para a vida útil da bateria, o mais importante é usar o carregador recomendado pelo fabricante e evitar os extremos, ou seja, não deixar descarregar até 0% nem manter em 100% por longos períodos. Recargas parciais funcionam bem para baterias de íon-lítio. O carregamento rápido é prático, mas gera mais calor e, se usado com frequência, desgasta mais que uma carga normal. A recomendação é simples: assim que a bateria chegar a 100%, desconecte. Não é necessário deixar carregando a noite toda.





