Quem poderia imaginar que o fato de gotejar, irrigar, pode amplificar o poder da cana? Pois é, no Nordeste, uma gota d’água está potencializando a produtividade da cana-de-açúcar. Os ganhos registrados foram de até 92,8% na produtividade com a irrigação por gotejamento, mesmo em uma safra marcada por déficit hídrico severo na região.
Se tem uma coisa que a safra 2025/26 deixou clara para as usinas do Nordeste, é que a gota, bem aplicada, vale mais do que litros desperdiçados. Resultados apresentados pelas próprias usinas e pela Netafim.
Como potencializar a produtividade da cana-de-açúcar?
A tecnologia já não é mais experimento isolado. O Nordeste conta hoje com 33 mil hectares irrigados por gotejamento subsuperficial, crescimento de 83% nos últimos cinco anos, em uma região que reúne cerca de 75 unidades produtoras. Os casos registrados mostram um padrão consistente: ganhos de produtividade, mais eficiência operacional e melhor aproveitamento da água em condições climáticas cada vez mais instáveis.
O papel da gota certa, no lugar certo
Segundo Thomas Silva, representante técnico de vendas da Netafim, a empresa acompanha o desempenho dos projetos ao longo de toda sua vida útil, em parceria com as equipes técnicas das usinas, o que permite consolidar indicadores confiáveis para o setor.
“Nosso papel vai além do fornecimento da tecnologia, fazemos o acompanhamento agronômico e operacional dos projetos, sempre em parceria com as equipes técnicas das usinas. Isso nos permite compilar resultados consistentes e disponibilizar um panorama comparativo que pode servir de referência para outros produtores que avaliam investir na irrigação por gotejamento”, afirma.
Na prática, a técnica consiste em instalar tubos gotejadores enterrados próximos ao sistema radicular da cana, levando água e fertilizante direto para onde a planta mais precisa. O resultado é menos perda por evaporação, mais uniformidade no desenvolvimento da cultura, maior longevidade do canavial e ganhos de produtividade, principalmente em períodos de estiagem.
Os números por trás da gota
A Usina Petribu, em Pernambuco, por exemplo, registrou ganho de 92,8% na produtividade em áreas irrigadas por gotejamento frente aos demais sistemas, considerando o acumulado de 17 safras. Na safra 2025/26, a vantagem foi de 83%. Não é um resultado de safra atípica, é um desempenho estrutural sustentado ao longo de quase duas décadas de acompanhamento.
Na Usina Porto Rico, em Alagoas, o manejo integrado da irrigação elevou a produtividade em 36% em quatro anos, em uma área de 2.200 hectares. O ganho equivale ao que se obteria com mais 846 hectares cultivados, sem precisar expandir um metro quadrado de área.
Já na Usina Japungu, na Paraíba, o gotejamento cobria apenas 35% da área, mas respondeu por 50% de toda a produção própria da usina em uma safra impactada pelo clima. A telemetria ainda ajudou a reduzir em 22% a mão de obra na casa de bombas e identificou 500 anomalias de forma preventiva ao longo da safra.
Na Usina Caeté, em Alagoas, a meta é ampliar a participação do gotejamento de 4% para 20% da área cultivada, saindo de 910 para 5.110 hectares planejados. Mesmo com lâmina reduzida de irrigação, de apenas 2 milímetros por dia, o sistema trouxe acréscimo de 10,1 toneladas por hectare frente ao sistema linear na cana-planta.
E na Usina Olho d’Água, em Pernambuco, um projeto de fertirrigação de precisão via gotejamento atingiu 135,7 kg de ATR por tonelada, um incremento aproximado de cinco toneladas de ATR por hectare em relação à média da usina.




