A Agência Internacional de Energia (AIE) já acreditava na explosão das energias renováveis em 2010. O tema surgiu em um estudo que contrariava o consenso da época e projetava um avanço acelerado das fontes renováveis na década seguinte. No World Energy Outlook 2010, a instituição afirmava que a energia solar e a eólica estavam prestes a entrar em um ciclo de expansão “sem precedentes”, impulsionado pela queda de custos e por políticas climáticas emergentes.
Naquele momento, renováveis ainda eram vistas como tecnologias caras e dependentes de subsídios. Mesmo assim, a AIE estimou que a capacidade instalada de solar cresceria em ritmo mais rápido que qualquer outra fonte, enquanto a energia eólica dobraria de tamanho até 2020. A agência disse que governos passariam a adotar regulações mais rígidas para emissões, estimulando a substituição gradual do carvão e do óleo Diesel por soluções menos poluentes.
AIE acertou na previsão do crescimento das energias renováveis
As projeções se confirmaram. Entre 2010 e 2020, o custo da energia solar caiu mais de 80%, e sua capacidade global saltou quase 20 vezes. A eólica consolidou-se como a tecnologia dominante na expansão elétrica de países como Estados Unidos e Reino Unido. No mesmo período, a China assumiu a liderança mundial em novos projetos, fabricando painel, turbinas e baterias em escala industrial.
O movimento transformou o setor elétrico e reposicionou a matriz global. Em diversos mercados, renováveis se tornaram a opção mais barata para gerar energia, superando até as fontes fósseis tradicionais. No Brasil, é possível avaliar o ranking das opções mais acessível de energia solar.
2010 foi um ano de virada estrutural para tecnologia e energia: redes sociais explodiam, smartphones se popularizavam, e as renováveis atravessavam o limiar entre “alternativas” e “competitivas”. Era o cenário perfeito para a AIE prever a revolução que de fato veio na década seguinte.
Momento geopolítico que a AIE fez a previsão
Há exatos 15 anos, o debate sobre descarbonização ainda era incipiente, mas ganhava força após o fracasso da COP de Copenhague. A China ultrapassava os EUA como maior emissor de CO₂. No setor fóssil, o desastre da BP no Golfo do México reacendeu discussões sobre segurança energética. Na economia, o mundo ainda enfrentava os efeitos da crise de 2008, com a Europa entrando na crise da dívida soberana e a China assumindo o papel de principal motor do crescimento global.





