Com mais de 4.800 participantes e 110 marcas expositoras, o Brazil Windpower 2026 encerrou, ontem (29), a 17ª edição no São Paulo Expo, na capital paulista.
A programação destacou a necessidade de planejamento de longo prazo e o aperfeiçoamento das regras para viabilizar novos projetos de geração renovável. A diretora de Eventos de Negócios da Informa, Liliane Bortoluci, ressaltou a importância da integração entre os agentes do mercado.
“Ao longo do evento, debatemos temas como o curtailment, a modernização da transmissão e a segurança regulatória, além de soluções para ampliar a demanda por energia renovável”, afirmou a executiva.
Baterias e planejamento energético
O armazenamento de energia por baterias ganhou destaque nas discussões sobre o Leilão de Reserva de Capacidade. O superintendente de Geração de Energia da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Gustavo Ponte, informou que o certame recebeu 601 projetos, dos quais 580 combinam geração solar e baterias, totalizando quase 300 gigawatts de potência cadastrada.
O planejamento aponta a necessidade de 7 gigawatts em baterias até 2036 para garantir a flexibilidade do sistema elétrico. O sócio-diretor da RegE Consultoria, Tiago Correia, destacou o potencial de expansão da tecnologia diante da redução de custos e da crescente demanda por flexibilidade operativa.
As mudanças no edital do leilão também entraram em pauta, incluindo a autorização para a participação de agentes de transmissão e a revisão de valores para garantias. O presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), Markus Vlasits, mediou os debates sobre as condições para os empreendedores.
Regulamentação e eólicas offshore
Os impactos da Reforma Tributária sobre os investimentos de longo prazo foram abordados por especialistas. O consultor tributário da Equinor, Petrus do Vale, chamou a atenção para a necessidade de previsibilidade nas regras fiscais. “Para investimentos de longo prazo, você precisa ter previsibilidade, o que a gente hoje não tem”, pontuou o especialista.
O desenvolvimento da energia eólica offshore exigiu atenção ao planejamento espacial marinho e ao diálogo com comunidades costeiras. O representante do Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Voivodic, destacou que o planejamento antecipado ajuda a evitar conflitos entre empreendedores e pescadores antes das etapas de licenciamento ambiental.
A diretora de Programa do Ministério de Minas e Energia, Lorena Melo, apresentou as diretrizes da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão, instituída em dezembro de 2025 para organizar os pedidos de conexão à rede elétrica de forma competitiva.
Qualificação profissional e futuro do setor
A qualificação da mão de obra também esteve entre os temas centrais do último dia de debates. O representante do Ministério de Minas e Energia, Marco Antonio Juliatto, alertou que a preparação de trabalhadores para as novas demandas tecnológicas pode levar de cinco a dez anos.
A discussão considerou a expansão de áreas como armazenamento por baterias, uso de drones e projetos offshore. As instituições defenderam maior integração entre empresas e redes de ensino para acompanhar a evolução da indústria de energia limpa no país.
