A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) lançou um roteiro orientativo para avaliar apólices voltadas a veículos elétricos e híbridos. A ferramenta integra a Taxonomia Sustentável do Mercado Segurador (TSS) e define que o tipo de veículo, isoladamente, não garante a classificação sustentável. O objetivo é estabelecer parâmetros claros para o setor financeiro e de seguros.
Segundo Claudia Prates, diretora de Sustentabilidade da CNseg, a ferramenta oferece ao mercado um roteiro estruturado para avaliar se um produto apresenta características e evidências suficientes para receber a classificação de sustentável. O método evita classificações baseadas apenas na tecnologia do automóvel.
“A análise começa pelo cadastro e enquadramento do produto, passa pela avaliação de suas características, parâmetros técnicos e possíveis impactos socioambientais e chega à consolidação da classificação”, disse a executiva.
A iniciativa faz parte da TSS, sistema criado para estabelecer critérios técnicos para identificar produtos e práticas que contribuam para objetivos ambientais, climáticos e sociais. A Taxonomia também busca ampliar o papel do seguro para além da proteção financeira, considerando sua capacidade de incentivar a prevenção, a adaptação climática e a resiliência.
Critérios técnicos e dimensões avaliadas
Na aplicação apresentada pela entidade, o produto associa-se ao objetivo de mitigação climática, pois esses veículos utilizam propulsão elétrica ou híbrida voltada à transição para sistemas de transporte de menor intensidade de carbono.
Um dos pontos centrais da metodologia é que o objeto segurado, de forma isolada, não determina a classificação do seguro. O checklist foi criado para aprofundar a análise e permitir que as empresas demonstrem a real contribuição socioambiental do produto oferecido ao consumidor.
A ferramenta avalia seis dimensões fundamentais e considera características como adicionalidade, materialidade, escalabilidade, inovação e mensuração. Também analisa a intencionalidade sustentável na concepção do produto e a existência de indicadores capazes de medir resultados positivos.
O guia aponta que o atendimento desses veículos demanda rede credenciada especializada, oficinas capacitadas, assistências para pane elétrica, reboque para pontos de recarga e procedimentos próprios para baterias de alta tensão.
Aplicação prática e governança interna
Para tornar a aplicação prática mais objetiva, a ferramenta utiliza alertas visuais com três cores distintas. Respostas em verde indicam situações sem riscos relevantes para a classificação.
O amarelo sinaliza pontos que exigem maior atenção ou complementação de dados, enquanto o vermelho destaca questões que demandam análise e fundamentação mais rigorosas por parte das equipes técnicas das companhias.
Ao final do processo, os produtos recebem classificações específicas. A ferramenta classifica os produtos como sustentáveis quando atendem significativamente aos critérios de contribuição, como contribuição parcial quando geram benefícios, mas não atingem o patamar exigido, ou como não sustentáveis quando cumprem apenas uma parcela restrita dos requisitos.
Depois da avaliação, a documentação segue para a governança interna da seguradora. Os produtos aprovados podem integrar o catálogo corporativo, com definição de critérios de subscrição, precificação, gestão de sinistros e reporte regulatório.
Por fim, o setor segurador construiu a Taxonomia Sustentável do Mercado Segurador a partir da Taxonomia Sustentável Brasileira e da regulamentação nacional. A metodologia, por exemplo, reforça o seguro como instrumento de incentivo à prevenção.
“No caso do setor automotivo, a aplicação da metodologia aos veículos elétricos e híbridos permite observar não apenas qual tecnologia está sendo segurada, mas como o produto foi concebido, quais riscos cobre, como a seguradora estrutura atendimento, subscrição e precificação e quais resultados socioambientais consegue acompanhar e demonstrar”, concluiu Claudia Prates.
