O Brasil está no caminho para a liderança mundial no custo de geração de energia solar “firme”. Ou seja, aquela que combina painéis fotovoltaicos e sistemas de armazenamento em baterias.
O estudo 24/7 Renewables: The Economics of Firm Solar and Wind, da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), aponta que: o Brasil atingirá a marca de US$ 41 por megawatt-hora (MWh) em 2035. Outro detalhe é que a operação será com 95% de confiabilidade.
Com a projeção, o Brasil assume a 2ª posição, ficando atrás só da China (US$ 33/MWh). No mesmo período, a Índia deve registrar US$ 47/MWh, enquanto Austrália e África do Sul chegarão a US$ 50/MWh. Os EUA aparecem com o custo mais elevado entre os países, perto de US$ 59/MWh.
Queda nos preços das baterias impulsiona o setor
O grande motor dessa transição é o barateamento do armazenamento. Entre 2010 e 2024, o custo global dos sistemas de baterias despencou 93%, caindo de US$ 2.634/kWh para US$ 197/kWh. A redução drástica minimizou o custo adicional antes necessário para tornar a energia solar previsível.
O avanço já é visível no cenário atual. Em localidades de alta irradiação no Brasil, como em pontos específicos da Bahia, o custo nivelado parte de cerca de US$ 65/MWh em 2025, com estimativa de queda para US$ 44/MWh em 2030, até atingir a marca projetada de US$ 41/MWh em 2035.
Oportunidade estratégica para a matriz brasileira
Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), os dados evidenciam o potencial do país para modernizar seu sistema elétrico e atender às novas demandas.
Ao armazenar o excedente gerado nos picos de sol e despachá-lo nos momentos de maior consumo, a tecnologia otimiza o uso da rede elétrica existente e reduz a dependência de usinas convencionais de suporte.
Para Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR: “Os resultados mostram que o Brasil reúne condições muito favoráveis para avançar na oferta de energia renovável firme e competitiva. A redução dos custos do armazenamento amplia a capacidade de utilizar o sol de forma mais estratégica.”
Já para Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, afirma que: “A expansão do armazenamento poderá contribuir para integrar novas cargas e aumentar a flexibilidade do sistema elétrico. A capacidade de produzir energia limpa deixa de ser avaliada apenas pelo custo da geração e passa a incorporar também sua disponibilidade e previsibilidade.”
Empresas continuam apostando na solar
O mercado de energia solar no Brasil vive uma expansão contínua e acelerada, impulsionada por investimentos. O movimento ganha destaque atual com a tese de investimento de gestoras globais como a Brookfield, que vislumbram um mercado ainda longe da saturação. A atratividade desses projetos é sustentada principalmente pelo retorno financeiro rápido para o consumidor: enquanto no exterior (como na Alemanha) o tempo de retorno do investimento (payback) gira entre 8 e 12 anos, no Brasil os equipamentos se pagam em cerca de 3,5 a 4,5 anos.
A expansão se consolida como um modelo altamente competitivo diante do cenário tarifário do país. Afinal, a conta de luz e a inflação energética continuam em alta, enquanto os custos dos painéis solares seguem estáveis e acessíveis.
Para viabilizar esse avanço, grandes gestoras estruturam crédito por fintechs com instaladoras. Ou seja, permitindo que milhares de novos consumidores migrem para a geração própria e garantam previsibilidade de custos nos próximos anos.
