O avanço da conta de luz no orçamento das famílias brasileiras vem transformando a relação do consumidor com o consumo de energia dentro de casa. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que os encargos do setor elétrico cresceram mais de 250% nos últimos 15 anos. Sempre pressionando as tarifas em diferentes regiões do país e aumentando o peso da energia elétrica nas despesas.
Barbara Fiorotto, gerente de Planejamento de Produtos do Grupo Vellore, diz que o cenário fez com que a eficiência energética deixasse de ser só ambiental. Na prática, o consumidor começou a olhar com mais atenção para hábitos rotineiros que, apesar de simples, impactam diretamente o valor da fatura.
“A energia elétrica deixou de ser uma despesa secundária no orçamento doméstico. Hoje, o consumidor percebe que pequenos desperdícios, o funcionamento simultâneo de aparelhos e hábitos podem gerar um impacto financeiro relevante no fim do mês”, afirma.
Os eletrodomésticos que mais puxam energia
De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), itens como chuveiro elétrico, geladeira, ar-condicionado e ferro de passar seguem entre os equipamentos de maior consumo nas residências brasileiras. O chuveiro elétrico, sozinho, pode representar uma parcela significativa do gasto energético, especialmente nos períodos mais frios, quando o tempo de banho tende a aumentar. Já o ferro de passar concentra alta potência em curtos períodos de uso, exigindo planejamento mais eficiente da rotina doméstica.
Além dos equipamentos de maior potência, o chamado “consumo invisível” também passou a ganhar relevância. Televisores em stand-by, carregadores conectados continuamente e aparelhos ligados sem necessidade contribuem para um padrão de desperdício que, somado ao longo do mês, pesa no orçamento das famílias.
Nesse contexto, soluções simples de automação e controle vêm se consolidando como aliadas na redução do consumo sem comprometer a rotina da casa. Sensores de presença em áreas de circulação, iluminação eficiente e dispositivos programáveis para desligamento automático ajudam a evitar gastos desnecessários, principalmente em ambientes que permanecem iluminados ou com aparelhos conectados por longos períodos sem uso efetivo.
Pequenas mudanças ajudam a reduzir desperdícios
A substituição gradual de lâmpadas tradicionais por modelos LED está entre as medidas mais adotadas pelos consumidores nos últimos anos. Além de consumirem menos energia, as lâmpadas LED têm maior durabilidade e menor geração de calor, reduzindo tanto o impacto na conta de luz quanto a necessidade de reposição frequente.
O peso da tarifa também vai além do consumo mensal. A conta de energia incorpora encargos setoriais, impostos e o sistema de bandeiras tarifárias, acionado de acordo com as condições de geração elétrica no país. Com isso, oscilações no setor acabam refletindo diretamente no orçamento doméstico.
Veja as dicas para economizar energia
“Economizar energia deixou de ser apenas uma questão ambiental. O consumidor passou a buscar mais controle sobre a rotina da casa porque a conta de luz começou a ocupar uma parcela maior das despesas mensais”, destaca a gerente.
Entre as práticas mais recomendadas estão a redução do tempo de banho, a manutenção preventiva de eletrodomésticos, a troca de aparelhos antigos por modelos mais eficientes e o uso consciente dos equipamentos. Medidas simples, como acumular roupas para utilizar o ferro de passar apenas uma vez por semana e retirar eletrônicos da tomada quando não estiverem em uso, podem gerar economia real ao fim do mês. O acompanhamento do padrão de consumo também passou a ser visto como uma ferramenta importante de organização financeira.
Outra orientação recorrente dos especialistas é considerar a eficiência energética já no momento da compra de produtos elétricos e sistemas de iluminação. Equipamentos certificados, aparelhos mais modernos e soluções de baixo consumo deixaram de ser vistos apenas como itens tecnológicos e passaram a representar alternativas de economia doméstica no longo prazo.
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