6G e IA devem transformar internet em infraestrutura

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A internet global caminha para uma transformação estrutural que deve reduzir progressivamente a dependência de telas e integrar a conectividade diretamente ao ambiente físico, de forma invisível, inteligente e imersiva. Esse cenário, impulsionado pelo avanço do 6G e da Inteligência Artificial nativa, está no centro das análises do Centro Universitário FEI, que completa 85 anos de atuação em inovação tecnológica.

Enquanto as redes atuais operam em velocidades na faixa de gigabits por segundo, a futura infraestrutura 6G, prevista para chegar ao mercado a partir de 2030, poderá atingir até 1 Terabit por segundo (Tbps). Mais do que velocidade, porém, a nova geração promete uma mudança radical na interação entre rede e ambiente físico. A latência deve cair para menos de 1 milissegundo, permitindo que antenas também atuem como sensores capazes de mapear espaços em tempo real.

Essa capacidade já vem sendo testada no consórcio de pesquisa ARENA2036, na Alemanha, onde experimentos demonstraram que o sistema consegue criar uma réplica digital precisa de ambientes físicos em cerca de 20 milissegundos, tecnologia considerada estratégica para prevenção de acidentes urbanos e industriais.

6G e inteligência artificial devem transformar internet em infraestrutura invisível, diz FEI

A coordenadora dos cursos de Ciência da Computação e Ciência de Dados e Inteligência Artificial da FEI, Leila Bergamasco, afirma que o impacto da nova infraestrutura deverá transformar setores essenciais, especialmente a saúde.

“O 6G trará a capacidade de perceber o ambiente físico em tempo real, o que revolucionará a medicina de alta complexidade”, explica. Segundo a especialista, testes recentes já demonstraram a viabilidade de cirurgias robóticas realizadas a longa distância, como operações conduzidas entre Orlando e Dubai.

“Com a nova tecnologia, o tempo de resposta será tão baixo que o retorno tátil poderá alcançar precisão semelhante à do sistema nervoso humano. Isso permitirá cirurgias remotas com sensibilidade na mão do médico, algo que tende a se tornar rotina no futuro”, afirma Leila.

Para viabilizar esse novo ecossistema hiperconectado, a Inteligência Artificial deixará de atuar apenas como ferramenta complementar e passará a integrar a própria arquitetura da rede. Na prática, a internet será capaz de aprender padrões, gerenciar tráfego e reorganizar recursos de maneira autônoma.

Infraestrutura prevista para a próxima década promete conectar ambientes

Ao mesmo tempo, o crescimento exponencial do número de dispositivos conectados exigirá uma mudança na lógica de processamento de dados. Em vez de depender exclusivamente de grandes centros computacionais, parte significativa das operações passará a ser executada localmente, diretamente nos dispositivos e sensores.

Cidades como Singapura e Barcelona já utilizam sistemas inteligentes baseados nesse conceito em iluminação pública e transporte urbano, reduzindo consumo de energia, emissões e custos operacionais.

Para a FEI, por exemplo, a consolidação desse cenário exigirá uma mudança profunda na formação de profissionais de tecnologia. Segundo Leila Bergamasco, o mercado passará a demandar especialistas capazes de integrar infraestrutura digital, inteligência artificial e necessidades práticas de diferentes setores da economia.

“A próxima geração de estudantes não vai apenas desenvolver aplicativos, mas desenhar a infraestrutura invisível da sociedade. O profissional mais valorizado será aquele capaz de conectar tecnologia, ética e necessidades humanas em soluções aplicáveis para áreas como medicina, urbanismo e engenharia”, conclui.

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