A Escola de Engenharia (EE) da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) realizou um ciclo de palestras Energia Segura em Ambientes Residenciais e Comerciais. A ideia foi reunir especialistas para discutir regulamentação, prevenção e combate a incêndios, além de apresentar as mais recentes pesquisas no setor. Entre os temas estavam os conhecimentos de instalar baterias em casa.
Na programação, haverá palestras com profissionais da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e Associação Brasileira de Prevenção Passiva Contra Incêndio (ABPP). Eles apresentarão as normas vigentes e os desafios enfrentados pelos bombeiros ao responder a incêndios em sistemas de armazenamento de energia (ESS) em ambientes residenciais, veículos elétricos e instalações industriais. Além de riscos associados aos proprietários de imóveis e ao público.
A UPM também mostrou os resultados de testes realizados em diversas baterias, bem como a metodologia utilizada, os riscos associados e os diferentes tipos de tecnologias de segurança envolvidas.
Certificações e seguranças para instalação de baterias de armazenamento
Na palestra do professor e doutor José César de Souza Almeida Neto, da UPM, foi apresentado um conjunto de normas e recomendações que orientam o setor a garantir segurança e confiabilidade.
Segundo o professor, a popularização dos sistemas BESS exige atenção rigorosa às normas técnicas e regulamentações nacionais e internacionais. “O projeto e a instalação precisam ser conduzidos por profissionais habilitados e qualificados, sempre em conformidade com as normas aplicáveis”, destacou.
Um dos pontos centrais é a certificação. Os sistemas devem ser homologados pelo Inmetro, conforme a Portaria 140/2022, atualizada pela 515/2023, e portar a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia.
Já as baterias íon-lítio precisam atender normas como UL 9540A e IEC 62619, enquanto inversores híbridos devem seguir a IEC 62109. Além disso, é obrigatório o uso de um Battery Management System (BMS) ativo, capaz de monitorar tensão, corrente e temperatura para evitar a chamada fuga térmica.
Normas de segurança
No campo das regulamentações, Almeida Neto lembrou da importância das normas NR-10, NR-12 e NR-23, além das instruções técnicas voltadas para inspeções elétricas e sistemas de detecção de incêndio. O Decreto Estadual nº 69.118/2024, em São Paulo, também foi citado como marco recente na segurança contra incêndios.
O professor fez questão de listar as principais normas técnicas que devem ser observadas em projetos com BESS. Entre elas estão a ABNT NBR 5410, essencial para instalações elétricas de baixa tensão; a ABNT NBR 16690, voltada para arranjos fotovoltaicos; e a ABNT NBR 17193, que trata da segurança contra incêndios em sistemas solares.
Também figuram na lista a NBR 16975 e a NBR 16976, específicas para baterias íon-lítio estacionárias, além de normas internacionais como a IEC 62619, a IEC 62933-5-1 e 5-2, e a NFPA 855, referência mundial para instalação de sistemas estacionários de armazenamento de energia.
Temperatura para as baterias
A operação segura das baterias, segundo Almeida Neto, depende sobretudo do controle de temperatura. Acima de 60 a 70 graus Celsius, há risco de avalanche térmica, que pode levar a incêndios ou explosões. Portanto, o BMS é a primeira linha de defesa. Ele é quem regula recarga, descarga e equalização das células, além de emitir alarmes quando parâmetros saem da faixa segura.
Apesar dos riscos, o especialista reconheceu os benefícios da tecnologia. Nos Estados Unidos, 13% das instalações solares residenciais já contam com sistemas BESS, que permitem armazenar energia para uso posterior e funcionam como geradores de reserva em quedas de energia. “O futuro da energia passa pelo armazenamento seguro e eficiente. Seguir normas e certificações é essencial para proteger vidas e patrimônios”, concluiu.
Requisitos do local da instalação:
- Ventilação: Ambientes confinados com baterias exigem ventilação adequada para dissipar calor e possíveis emissões de gases.
- Localização: Evitar áreas de risco de inundação, proximidade de fontes de calor ou rotas de evacuação de emergência.
- Sinalização: Deve haver sinalização de segurança destacada, visível e em português, com os dizeres “Risco Elétrico” e “Risco de Incêndio”.
- Distanciamento: Manter distâncias mínimas entre unidades de bateria e paredes.
- Sistemas de Supressão: Em instalações comerciais de maior porte, pode ser necessária a instalação de sistemas automáticos de supressão de incêndio.
Principais normas para instalações com BESS:
- ABNT NBR 16384 – Segurança em eletricidade: recomendações para trabalho seguro.
- ABNT NBR 5410 – Instalações elétricas de baixa tensão (essencial para conexão do ESS à rede).
- ABNT NBR 16690 – Instalações elétricas de arranjos fotovoltaicos: requisitos de projeto.
- ABNT NBR 17193 – Segurança contra incêndios em instalações fotovoltaicas: requisitos e especificações de projetos em edificações.
- NBR 16975 – Células e baterias secundárias de lítio para aplicações estacionárias: especificação elétrica e métodos de ensaio.
- NBR 16976 – Células e baterias secundárias de lítio para aplicações estacionárias: requisitos de segurança e métodos de ensaio.
- IEC 62619 – Requisitos de segurança para células e baterias secundárias de lítio em aplicações industriais.
- IEC 62933-5-1 – Considerações de segurança para sistemas de armazenamento de energia integrados à rede (especificação geral).
- IEC 62933-5-2 – Requisitos de segurança para sistemas de armazenamento de energia eletroquímicos integrados à rede.
- NFPA 855 – Norma para instalação de sistemas estacionários de armazenamento de energia.




