Elétricos podem afetar saúde mental por excesso de eletromagnetismo? A pergunta surge, pois aumenta o interesse científico sobre os efeitos da exposição cotidiana a campos eletromagnéticos. Ainda sem comprovação científica, estudos alegam que, quando há exposição, de forma contínua e próxima ao corpo humano, há registro de alterações.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) mantém acompanhamento sobre pesquisas relacionadas à exposição a campos eletromagnéticos não ionizantes, destacando que os estudos seguem em andamento para compreender possíveis efeitos de longo prazo.
Tema precisa de atenção
A psicóloga Maria Klien afirma que o tema precisa ser abordado com base em investigação científica. “Não estou defendendo oposição à tecnologia nem propondo conclusões precipitadas. Estou chamando atenção para a necessidade de estudar como o sistema nervoso reage quando permanece imerso, por horas, em um campo eletromagnético contínuo dentro de um espaço fechado”, afirma.
Segundo ela, o organismo humano responde a estímulos ambientais mesmo quando não há percepção consciente. “O sistema nervoso foi estruturado para processar variações de luz, som, temperatura e movimento. Quando o corpo permanece em um ambiente em que predominam sinais invisíveis e constantes, pode ocorrer alteração na forma como essa regulação acontece. Isso não significa necessariamente doença, mas pode significar adaptação fisiológica que ainda não compreendemos totalmente”, declara.
Não é possível descartar a mobilidade elétrica
Muitas pessoas ao redor do mundo mencionam sensação de cansaço, dificuldade de concentração e irritabilidade após deslocamentos extensos em veículos eletrificados. “Esses sintomas têm múltiplas causas possíveis e não podem ser atribuídos automaticamente a um único fator. No entanto, quando um padrão se repete, é responsabilidade do campo da saúde investigar. Precisamos de estudos independentes que meçam níveis reais de exposição dentro desses veículos e avaliem impactos cumulativos”, diz.
A psicóloga destaca que inovação tecnológica e saúde humana não são agendas excludentes. “Mobilidade elétrica representa avanço ambiental. O que proponho é que o debate seja ampliado para incluir também a dimensão biológica. Sustentabilidade precisa considerar o planeta e o corpo que habita esse planeta”, conclui.
Não confundir saúde mental com bem-estar
Apesar dos avanços em conforto e eficiência, os carros elétricos também levantam discussões sobre possíveis efeitos no bem-estar dos passageiros, especialmente em relação ao enjoo de movimento.
Isso ocorre, em algumas pessoas, porque esses veículos apresentam aceleração mais linear, menor ruído e quase nenhuma vibração, reduzindo as referências sensoriais que o cérebro utiliza para interpretar o deslocamento. O resultado pode ser um maior conflito entre visão e equilíbrio, aumentando a sensação de náusea.
Especialistas destacam que esse efeito não está associado diretamente a problemas de saúde mental, mas pode gerar desconfortos indiretos, como ansiedade leve ou fadiga durante viagens mais longas. O fenômeno, conhecido como cinetose, tende a ser mais frequente em passageiros, já que o motorista consegue antecipar melhor os movimentos do veículo. Ajustes na condução e hábitos simples, como evitar o uso de telas e manter o olhar no horizonte, ajudam a reduzir os sintomas.
Conclusão
Por fim, o tema ainda aparece no debate público, especialmente entre pessoas que relatam sensibilidade a campos eletromagnéticos, condição conhecida como hipersensibilidade eletromagnética, que a comunidade científica não reconhece de forma consensual.Já especialistas apontam que, até o momento, não há comprovação de que a exposição em veículos elétricos seja capaz de desencadear ou agravar transtornos mentais.





