O município de Rosana, no Oeste Paulista, pode entrar para história por estrear um método de escoamento de energia e sem construir novas torres. O projeto foi implantado em um trecho da linha Porto Primavera–Rosana, de 138 quilovolts (kV).
A solução está no uso de um revestimento cerâmico aplicado sobre os cabos já instalados. O elemento reduzir a temperatura de operação e permitir a transmissão de mais energia. Nos próximos meses, técnicos irão monitorar o desempenho da linha para comparar comportamento e aplicação da tecnologia.
Rosana nas alturas
Segundo a ISA Energia Brasil, responsável pela operação da linha, a experiência busca responder a um desafio crescente. Trata-se do aumento da demanda limitada por custos elevados, prazos longos ou restrições ambientais. Rosana foi escolhida por ter um alto nível de carregamento da linha, condição considerada ideal para testar a eficiência da tecnologia.
Mais energia, menos calor
O principal fator limitante da transmissão de energia é o aquecimento dos cabos: quanto maior o fluxo elétrico, maior a temperatura, o que impõe restrições operacionais. O revestimento cerâmico atua justamente nesse ponto, ao melhorar a troca de calor com o ambiente e reduzir a absorção térmica. ou seja, o material facilita a dissipação do calor e ajuda a manter a temperatura abaixo do limite de 90 °C estabelecido pelas normas técnicas, mesmo com maior carga elétrica.
Aplicação da cerâmica com robôs
A aplicação do revestimento foi realizada com o auxílio de robôs que operam diretamente sobre os cabos, a cerca de 20 metros de altura. Um equipamento faz a limpeza da superfície, enquanto outro aplica a camada cerâmica. O processo levou aproximadamente oito horas para um trecho de 350 metros.
Por se tratar da primeira aplicação da tecnologia no país, a linha foi desenergizada durante o procedimento, aproveitando uma janela de manutenção já programada, sem impacto adicional no fornecimento de energia.
Chuveiro também usa cerâmica
Há conectores de cerâmica em chuveiros elétricos porque eles oferecem mais segurança térmica e elétrica em um ponto da instalação que trabalha com alta potência e temperaturas elevadas.
A cerâmica é isolante elétrico e resiste a temperaturas muito elevadas sem derreter ou deformar. Em chuveiros elétricos, a corrente é alta e os fios aquecem bastante; conectores plásticos comuns podem amolecer, queimar ou até provocar curto-circuito e incêndio. O conector cerâmico evita esse risco.
Além disso, a cerâmica não envelhece com o calor constante, mantendo a conexão firme ao longo do tempo. Por isso, fabricantes e eletricistas recomendam seu uso especialmente em chuveiros de maior potência, garantindo maior durabilidade da instalação e reduzindo o risco de falhas elétricas.
São bolas de basquete nas redes?
As “bolas” vistas em linhas de transmissão não são bolas de basquete, mas esferas de sinalização aérea. Elas servem para aumentar a visibilidade dos cabos e evitar colisões com aeronaves. Fios de alta tensão são difíceis de enxergar, especialmente em áreas abertas, travessias de rios ou regiões onde há voos em baixa altitude, como helicópteros e aviões agrícolas.
Portanto, com cores chamativas, como laranja, vermelho ou branco, essas esferas funcionam exclusivamente como um item de segurança da aviação, atendendo a normas técnicas e regulatórias. Elas não têm função elétrica nem estrutural: não isolam os cabos, não reduzem vibrações e não interferem na transmissão de energia.
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