A Tesla registrou vendas abaixo do esperado no quarto trimestre, com 418.227 veículos entregues no período, encerrando 2025 com cerca de 1,64 milhão de unidades comercializadas. O desempenho resultou na perda da liderança global no mercado de veículos elétricos para a chinesa BYD, que informou vendas de 2,26 milhões de elétricos ao longo do ano.
Para Leandro Guissoni, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e cofundador da Decomposer, a mudança no ranking global não é pontual nem pode ser explicada apenas por volume. Segundo ele, a BYD opera sob uma lógica distinta da Tesla e das montadoras tradicionais, baseada na integração vertical da cadeia produtiva, controle rigoroso de custos, maior velocidade de lançamento e uso intensivo de dados para previsão de demanda e definição de portfólio.
Na avaliação do especialista, o mercado global de veículos elétricos entra em uma nova fase, marcada pela competição por eficiência e escala. “A vantagem tecnológica isolada já não é suficiente. Quem conseguir combinar previsibilidade, margem e rápida adaptação ao consumidor tende a liderar”, afirma Guissoni.
BYD e o Brasil
No Brasil, a BYD se consolida como protagonista da nova etapa da mobilidade elétrica. Desde a entrega do primeiro veículo no país, em abril de 2022, a fabricante já ultrapassou a marca de 200 mil veículos 100% elétricos e híbridos plug-in emplacados, reforçando seu papel como referência na eletrificação do setor automotivo nacional.
O resultado ganha ainda mais relevância por ter sido alcançado apenas dois meses após a empresa celebrar o marco de 170 mil unidades emplacadas, evidenciando a aceleração do ritmo de vendas e a crescente adesão dos consumidores brasileiros à marca.
Em 2025, segundo dados da Fenabrave referentes ao período de janeiro a novembro, a BYD mantém a liderança absoluta no mercado de veículos eletrificados no país. No segmento de elétricos a bateria (BEV), a fabricante detém 73,62% de participação de mercado. O desempenho é reforçado pelo fato de que o volume somado de vendas das marcas posicionadas da segunda à 15ª colocação no ranking não supera o total comercializado pela greentech no período.
“A BYD não apenas veio para ficar, como se estabeleceu de forma definitiva como uma das marcas de maior crescimento e influência do setor automotivo. Na vanguarda da mobilidade sustentável, oferecemos aos brasileiros produtos acessíveis que combinam tecnologia, inovação e qualidade. Como resultado, conquistamos a confiança dos consumidores, que passaram a enxergar a eletrificação como uma alternativa viável e desejável”, afirma Alexandre Baldy, vice-presidente sênior e head de Comercial e Marketing da BYD no Brasil.
Paralelamente aos resultados no mercado brasileiro, a BYD também alcançou um novo marco global ao ultrapassar a produção de 15 milhões de veículos eletrificados, apenas dois meses após atingir a marca de 14 milhões de unidades produzidas.





