Etanol carbono negativo? Nova pesquisa brasileira aponta caminho

Etanol carbono negativo? Nova pesquisa brasileira aponta caminho

Pesquisadores da USP e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram uma solução que pode transformar a produção de etanol no Brasil.

A ideia é simples na teoria, mas poderosa: capturar até 95% do CO₂ liberado na queima da biomassa da cana-de-açúcar, tornando o etanol ainda mais sustentável e competitivo.

O projeto está em fase inicial, mas já traz resultados animadores. Usando um material chamado zeólita, os cientistas criaram um sistema que “segura” o CO₂ antes que ele vá para a atmosfera.

Tudo isso com um custo de energia que, se confirmado em larga escala, pode ser menor que o de tecnologias usadas hoje no mundo

Segundo o professor Marcelo Seckler, da Poli-USP e coordenador da pesquisa, o grande diferencial foi aplicar uma técnica de design chamada otimização topológica, um jeito de desenhar os equipamentos de captura para melhorar a passagem dos gases e o aproveitamento de calor. “Isso aumentou a eficiência e mostrou que dá para pensar em soluções mais econômicas para o setor”, explica.

Para o etanol carbono negativo ingressar há desafios

Claro que ainda há desafios. A presença de impurezas como vapor d’água e enxofre nos gases pode atrapalhar o processo, mas os pesquisadores já estudam formas de contornar o problema com pré-tratamento.

Outro ponto é o gasto de energia para “limpar” o material usado na captura, mas o uso de trocadores de calor pode ajudar a reduzir esses custos.

O que a pesquisa precisa para vingar?

Se der certo, essa tecnologia pode transformar o etanol em um combustível de carbono negativo, ou seja, que tira mais CO₂ da atmosfera do que emite.

E mais: pesquisadores já avaliam adaptar a tecnologia para outras biomassas além da cana, o que ampliaria seu impacto positivo na matriz energética brasileira.

“Os resultados são promissores porque o setor de etanol já queima biomassa. Isso facilita a implementação dessa tecnologia e pode colocar o Brasil na liderança da produção de combustíveis realmente verdes”, completa Seckler.

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