Com a Copa do Mundo chegando, o varejo brasileiro já começa a sentir os primeiros reflexos de um dos maiores eventos esportivos do planeta. Historicamente, o Mundial funciona como um importante acelerador para o mercado de eletrônicos, especialmente de televisores. Mas até que ponto vale a pena trocar a TV?
A expectativa do setor é que as vendas de TVs cresçam entre 15% e 20% antes da competição, embaladas pela busca por melhor qualidade de imagem, recursos de conectividade e uma experiência mais imersiva para acompanhar os jogos.
Vale a pena trocar de TV para a Copa?
Mas até que ponto a troca da televisão realmente vale a pena? A dúvida é comum entre consumidores que pretendem aproveitar a Copa do Mundo de 2026 para renovar os equipamentos da sala, mas temem investir em uma tecnologia que possa ficar rapidamente ultrapassada.
O risco de obsolescência é menor do que parece. Atualmente, os principais avanços da indústria já estão disponíveis em modelos comercializados no Brasil, como resolução 4K, painéis OLED e Mini LED, taxas de atualização de 120 Hz e recursos de inteligência artificial voltados para aprimoramento de imagem e som. Para a maior parte dos usuários, um aparelho adquirido hoje deve permanecer tecnologicamente atual por pelo menos cinco anos.
Isso não significa que a evolução tenha chegado ao fim. Tecnologias como MicroLED e novas aplicações de inteligência artificial prometem transformar a experiência audiovisual nos próximos anos. No entanto, esses recursos ainda estão restritos a produtos de alto valor e devem levar algum tempo para alcançar maior escala de mercado.
É possível dizer, por exemplo, que a troca faz mais sentido para consumidores que ainda utilizam televisores Full HD ou modelos mais antigos. Já quem possui uma Smart TV 4K adquirida recentemente tende a perceber ganhos mais limitados com a substituição.
Na prática, a escolha depende menos da chegada de novas tecnologias e mais do estágio do equipamento atual. Para quem busca melhor qualidade de imagem, mais conectividade e uma experiência mais imersiva durante os jogos, a Copa continua sendo um dos principais gatilhos para acelerar a renovação do aparelho.
Quanto gasta uma TV de tubo?
As antigas TVs CRT (de tubo) costumavam consumir entre 80 e 120 watts, podendo chegar a 150 watts nos modelos maiores. Embora pareça um consumo próximo ao de algumas TVs modernas, a diferença está no tamanho da tela e na eficiência energética. Uma TV LED atual de 55 polegadas pode consumir praticamente o mesmo que uma TV de tubo de 21 polegadas, entregando uma tela mais de duas vezes maior.
Já uma TV LED, moderna de 55 polegadas, costuma consumir entre 30% e 50% menos energia que uma TV de plasma equivalente e pode apresentar consumo semelhante ou até inferior ao de muitas TVs de tubo fabricadas nas décadas de 1990 e 2000.
Portanto, para quem ainda possui uma TV de plasma ou um modelo de tubo muito antigo, a substituição pode gerar economia de energia ao longo dos anos, mas não na Copa do Mundo.
Mas, para quem possui uma Smart TV LED relativamente recente, o ganho na conta de luz costuma ser pequeno, fazendo com que a decisão esteja mais relacionada à qualidade de imagem, conectividade e recursos tecnológicos do que à economia de energia.
| Tipo de TV | Potência média | Consumo mensal* | Custo mensal estimado |
|---|---|---|---|
| TV de tubo 21″ | 80 a 120 W | 9,6 a 14,4 kWh | R$ 9 a R$ 14 |
| Plasma 42″ | 250 a 400 W | 30 a 48 kWh | R$ 28 a R$ 46 |
| LCD 42″ | 120 a 180 W | 14,4 a 21,6 kWh | R$ 14 a R$ 21 |
| LED 50″ | 70 a 120 W | 8,4 a 14,4 kWh | R$ 8 a R$ 14 |
| QLED 55″ | 80 a 150 W | 9,6 a 18 kWh | R$ 9 a R$ 17 |
| OLED 55″ | 90 a 170 W | 10,8 a 20,4 kWh | R$ 10 a R$ 19 |
| Mini LED 65″ | 100 a 180 W | 12 a 21,6 kWh | R$ 11 a R$ 21 |
TV virou investimento e o seguro entra na história
Se a Copa do Mundo acelera a venda de televisores, um novo comportamento começa a chamar a atenção do mercado: a contratação de proteção financeira para esses equipamentos.
Segundo a NielsenIQ, as vendas de televisores devem crescer entre 15% e 20% no período que antecede o Mundial de 2026. Na esteira desse movimento, a Pitzi, insurtech brasileira especializada em proteção de eletrônicos, identificou um aumento expressivo na contratação de proteção para televisores. O volume de aparelhos segurados pela insurtech saltou de cerca de 14 mil unidades em 2024 para 33 mil em 2025, mais que dobrando em apenas um ano.
A tendência acompanha a valorização dos televisores premium. Modelos com tecnologias OLED, QLED, Mini LED e telas acima de 65 polegadas podem ultrapassar facilmente a faixa dos R$ 5 mil e, em alguns casos, superar R$ 15 mil. Nesse cenário, despesas inesperadas com manutenção, falhas técnicas ou substituição do aparelho passam a ter impacto significativo no orçamento familiar.
Dados da própria Pitzi mostram que a proteção para TVs já representa aproximadamente 3,9% de sua carteira, mais que o dobro da participação observada em 2024. Para o setor, a mudança reflete um consumidor mais atento à gestão financeira e aos custos envolvidos na reposição de bens eletrônicos de maior valor agregado.
Mais do que proteger o equipamento, especialistas apontam que o seguro tem sido visto como uma ferramenta de previsibilidade financeira. Em vez de lidar com gastos emergenciais em caso de danos ou falhas, o consumidor opta por incorporar a proteção ao custo total da compra, especialmente em períodos de forte renovação tecnológica, como os que antecedem grandes eventos esportivos.
Devo esperar o novo padrão de TV para comprar um aparelho para a Copa?
A dúvida é compreensível. O Brasil está avançando na implementação da chamada TV 3.0, nova geração da televisão aberta que promete reunir características da transmissão tradicional com recursos típicos do streaming. Entre as novidades previstas estão imagens em resolução 4K, áudio imersivo, interatividade ampliada, personalização de conteúdo e integração com a internet.
Na prática, porém, a chegada da TV 3.0 será gradual. Além da necessidade de adaptação das emissoras, fabricantes e produtores de conteúdo, o novo sistema deverá conviver por vários anos com os padrões atuais de transmissão. Ou seja, a simples entrada da tecnologia no mercado não significa que ela será imediatamente utilizada em larga escala.
Por isso, não vale a pena adiar a compra de uma televisão apenas esperando a consolidação do novo padrão. Os modelos mais recentes já contam com recursos como resolução 4K, HDR, inteligência artificial para otimização de imagem e som, além de plataformas de streaming integradas, tecnologias que continuarão relevantes independentemente da evolução da transmissão aberta.
Portanto, para quem pretende trocar de aparelho antes da Copa do Mundo de 2026, a recomendação é priorizar uma TV moderna, com boa conectividade e recursos atualizados, em vez de esperar por uma tecnologia que ainda levará alguns anos para atingir sua maturidade comercial. Na maioria dos casos, o ganho de experiência ao assistir aos jogos agora será maior do que o benefício de aguardar futuras mudanças no padrão de transmissão.




