“Sistema elétrico no limite”, diz APINE após ação do ONS

Energia cresce no Brasil, mas ritmo perde força até 2030

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou o plano de gestão de excedentes para a operação do último domingo. A medida envolveu o gerenciamento de 1.000 MW entre 10h e 14h.

Segundo o operador, a ação foi necessária para equilibrar o sistema diante da elevada geração de energia proveniente da micro e minigeração distribuída (MMGD), combinada com a redução da demanda causada pelo feriado prolongado de Corpus Christi.

As distribuidoras foram comunicadas previamente e realizaram as manobras necessárias para garantir o equilíbrio do Sistema Interligado Nacional (SIN). Além disso, o ONS adotou medidas operativas complementares para reduzir a geração de energia no sistema.

“Sistema elétrico no limite”

Durante toda a operação, o operador manteve contato com os agentes do setor, coordenando as ações em tempo real e gerenciando os recursos disponíveis de acordo com a demanda de consumo.

O ONS destacou ainda que segue acompanhando as mudanças no perfil de geração e consumo de energia no país, com foco na segurança, confiabilidade e eficiência da operação do SIN, em conformidade com os procedimentos de rede vigentes.

Excesso de energia força ação do ONS e acende alerta sobre futuro do sistema elétrico

Em posicionamento, a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (APINE) avaliou que o acionamento do plano de corte de geração pelas distribuidoras é um sinal de que o sistema elétrico brasileiro enfrenta desafios crescentes para acomodar a expansão da geração distribuída.

Segundo a entidade, o episódio reforça a necessidade de medidas regulatórias urgentes para dar maior racionalidade econômica à micro e minigeração distribuída. A associação argumenta que o atual modelo não oferece sinais de preço adequados, incentivando a produção de energia justamente nos períodos em que ela possui menor valor para o sistema e o consumo nos horários em que a eletricidade é mais valorizada.

Para a APINE, mecanismos de sinalização econômica poderiam estimular os consumidores-geradores a armazenar os excedentes produzidos durante o dia e utilizá-los nos períodos de maior demanda. A entidade cita como exemplo a experiência do estado do Havaí, nos Estados Unidos, onde a adoção de sistemas de armazenamento ajudou a mitigar problemas associados ao excesso de geração distribuída.

A associação defende ainda que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) possui competência e instrumentos regulatórios para enfrentar a questão de forma rápida e eficiente, evitando que situações semelhantes se tornem mais frequentes à medida que a participação da geração distribuída avança no país.

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