A falta de profissionais qualificados e de engenheiros enfraquece o desempenho do setor. Afinal, sem mão de obra preparada, empresas passam a operar com maior incidência de erros, retrabalho e entregas inconsistentes.
Ao mesmo tempo, a produtividade cai, projetos atrasam, custos sobem e a capacidade de escala fica limitada. No campo estratégico, a escassez de talentos restringe a adoção de novas tecnologias e a geração de inovação. O resultado é menor eficiência, margens pressionadas, perda de relevância e redução de novos profissionais.
De olho no crescimento consolidado do mercado de energia, a NeoSolar, que atua na distribuição de equipamentos e na formação de profissionais, iniciou uma bateria de cursos presenciais, com aulas práticas e de demonstração de equipamentos.
NeoSolar investe na formação de profissionais do setor
“Queremos contribuir diretamente para o desenvolvimento do mercado, capacitando profissionais para atuar com qualidade, segurança e alto nível técnico. O setor está em constante transformação, e nosso objetivo é acompanhar essa evolução, oferecendo uma formação sólida e atualizada”, comenta Vinicius Rocha, gerente de Produtos da NeoSolar.
Outro diferencial é o acompanhamento constante das mudanças regulatórias e das inovações tecnológicas do mercado de energia solar e de mobilidade elétrica, que permite que os participantes tenham acesso a informações atualizadas sobre normas técnicas, boas práticas de instalação e tendências do setor.
Mas a demanda por tecnologia cresce acima da qualificação
O Brasil pode enfrentar, em um futuro próximo, um apagão de mão de obra em engenharia, justamente em um momento em que a demanda por profissionais técnicos cresce globalmente. O alerta foi feito por Anderson Correia, Diretor-presidente do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas – e Professor Titular do ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Ele sinalizou o momento crítico no 1º Fórum Estratégico da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva).
Com foco no tema “Formação de mão de obra para novas tecnologias”, o painel discutiu um dos principais desafios da engenharia no país: a queda consistente no interesse dos brasileiros por cursos na área.
“Estamos diante de um movimento preocupante. As engenharias perdem espaço enquanto outras áreas crescem. Isso compromete diretamente a capacidade do país de desenvolver tecnologia e sustentar sua base industrial”, afirmou o professor.
Queda na formação de engenheiros preocupa setor
Dados apresentados no fórum mostram que, entre 2018 e 2023, houve uma queda de 27% no número de formandos de engenharia no Brasil, o equivalente ao desaparecimento de quase 1 em cada 3 novos profissionais.
Outro dado alarmante mostra que, entre 2015 e 2024, houve queda de mais de 10% na oferta de bolsas de estudo em mestrado, doutorado e pós-doc da CAPES, fundação vinculada ao Ministério da Educação do Brasil que fomenta a pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em Engenharias.
“A redução na formação de engenheiros deixou de ser um sinal de alerta e passou a representar um risco concreto para a capacidade do Brasil de inovar e sustentar sua base industrial. Se não houver ação coordenada, vamos enfrentar um déficit de profissionais justamente quando o mundo acelera a demanda por tecnologia”, afirma Marcus Vinicius Aguiar, presidente da AEA.
Diante desse cenário, a AEA criou o Fórum Estratégico de Engenharia. O objetivo é mobilizar o setor para fortalecer a localização de centros de pesquisa e de desenvolvimento no Brasil.
Falta mecânicos para elétricos nas oficinas
O mercado brasileiro de veículos eletrificados mantém trajetória acelerada de crescimento e já começa a pressionar um dos elos mais sensíveis da cadeia automotiva: a formação de profissionais capacitados para atuar na manutenção de sistemas de alta complexidade tecnológica.
Somente em 2025, 223.912 veículos eletrificados foram emplacados no país, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O avanço da frota amplia a demanda por serviços especializados em eletrônica de potência, sistemas de alta tensão, diagnósticos digitais e softwares embarcados.
A transição para a eletrificação tem alterado profundamente o perfil do pós-venda. Se, por um lado, veículos elétricos e híbridos reduzem intervenções mecânicas tradicionais, como trocas de óleo e manutenção de componentes de combustão. Por outro, exigem conhecimento técnico avançado em módulos como BMS (Battery Management System), inversores, sistemas de gerenciamento térmico e unidades de controle eletrônico (ECUs).
Eletrificação expõe lacunas na manutenção automotiva
“O desafio não está apenas na adoção da tecnologia pelos fabricantes e consumidores, mas na capacidade do mercado de manutenção acompanhar essa transformação”, destaca Alexandre Xavier, superintendente do IQA, entidade que atua no desenvolvimento e disseminação da qualidade no setor automotivo.
Para o Instituto, o cenário exige uma aceleração dos investimentos em capacitação profissional e atualização contínua das oficinas. “A eletrificação redefine completamente o perfil técnico do setor. Sem formação adequada, há risco de termos tecnologia disponível no mercado sem profissionais preparados para garantir manutenção segura e eficiente”, aponta Alexandre Xavier.
Para tentar mudar, a entidade investe na oferta de cursos voltados à eletroeletrônica, diagnósticos digitais e segurança em sistemas de alta tensão. Ainda assim, a avaliação aponta que a velocidade de crescimento da frota pode superar a capacidade atual de qualificação.
Outro ponto é que a falta de profissionais especializados pode impactar custos de manutenção, tempo de atendimento e a própria confiança na transição elétrica. Ou seja, trazendo um desafio estratégico para um dos setores cruciais da economia do país.
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