A corrida global pela expansão da capacidade computacional e de inteligência artificial (IA) ganhou ritmo acelerado no Brasil com anúncios bilionários de gigantes de tecnologia. Contudo, o avanço acelerado dessas megaobras traz à tona um gargalo complexo: os desafios jurídicos, contratuais e regulatórios.
Apenas a Microsoft anunciou um aporte de R$ 14,7 bilhões para expandir sua infraestrutura de computação em nuvem e IA no país até 2028. No mesmo caminho, a Amazon Web Services (AWS) confirmou aproximadamente R$ 10,1 bilhões para expansão de data centers até 2034. A movimentação é acompanhada por empresas como Google Cloud, ByteDance, Scala Data Centers e Ascenty, desencadeando uma disputa entre estados brasileiros para atrair novos projetos da economia digital.
Pressão sobre a rede elétrica e licenciamentos
A dimensão física desses projetos impõe exigências pesadas sobre a infraestrutura nacional. O funcionamento contínuo de data centers de alta capacidade eleva substancialmente a demanda por energia, pressionando o setor elétrico a ampliar sistemas de geração, transmissão e distribuição.
Além do abastecimento energético, as empresas enfrentam gargalos na agilidade de licenças ambientais e na conexão com o Sistema Interligado Nacional (SIN), etapas decisivas para o cumprimento dos cronogramas das obras.
Desafios contratuais e risco de disputas
O volume e a urgência desses projetos alteram profundamente a dinâmica dos contratos de engenharia e infraestrutura. Por envolverem múltiplos fornecedores, aquisição de equipamentos importados, obras civis e rígidas exigências regulatórias, os projetos ficam expostos a alterações de escopo, indisponibilidade de insumos e mudanças nas regras do setor.
Esses fatores aumentam a incidência de atrasos, desequilíbrios econômico-financeiros e disputas judiciais ou arbitrais de grande porte.
Marcello Guimarães, presidente da SWOT Global Consulting, avalia que o debate sobre inteligência artificial precisa incorporar a dimensão física dos investimentos.
“A inteligência artificial depende de uma infraestrutura extremamente sofisticada. Quanto maior a escala desses projetos, maior também a necessidade de contratos robustos, gestão preventiva de riscos e mecanismos capazes de evitar que dificuldades técnicas ou regulatórias se transformem em disputas de alto impacto financeiro”, afirma Guimarães.




