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Você sabia que 30% dos fios de cobre no Brasil têm origem ilícita?

Ladrões de cobre talvez não gostem dessa história chamada nióbio
Ladrões de cobre talvez não gostem dessa história chamada nióbio

Você sabia que cerca de 30% dos fios de cobre usados no Brasil vêm de origem ilícita? O dado é do Sindicel (Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não Ferrosos do Estado de São Paulo). O mercado paralelo movimenta cerca de R$ 2,4 bilhões por ano, conforme balanço divulgado no ano passado.

Diante desse cenário, entidades do setor reforçam a necessidade de fiscalização mais rigorosa e de maior conscientização sobre a qualidade dos materiais usados em obras e instalações elétricas no país. A recomendação vale para todos os segmentos onde a inspeção técnica deveria ser tratada como prioridade.

“A qualidade dos cabos é diretamente proporcional à segurança da instalação”, resume Enio Rodrigues, diretor executivo do Sindicel.
De acordo com Rodrigues, cabos fora de norma, muitas vezes fabricados com menos cobre do que o exigido e isolados com excesso de PVC, criam uma falsa sensação de segurança. Essa prática, conhecida como “cabo desbitolado”, reduz a capacidade de condução elétrica, aumenta o risco de superaquecimento e pode ser o estopim de incêndios.

Fios de cobre de mentira podem causar estragos

“Há empresas lançando no mercado cabos que não atendem aos critérios mínimos de qualidade. Isso sobrecarrega os sistemas, eleva o consumo de energia e, no limite, coloca vidas em risco”, alerta Maurício Santana, diretor executivo da Qualifio, entidade que desde 1993 monitora a qualidade de fios e cabos e denuncia irregularidades aos IPEMs (Institutos de Pesos e Medidas).

A fraude, no entanto, não é o único problema. Segundo Santana, o uso crescente de cabos de alumínio revestidos de cobre em substituição ao cobre convencional é igualmente perigoso.

“O alumínio aquece mais, pode comprometer conexões e levar a temperaturas críticas em sistemas elétricos”, explica.
Embora o alumínio possa ser utilizado em aplicações específicas, o problema está na confusão do consumidor. Por ter diâmetro maior, já que sua condutividade é inferior à do cobre, muitos acabam aplicando esse tipo de cabo em circuitos com corrente superior à recomendada, comprometendo a segurança.

Alumínio não pode substituir o cobre

“Temos visto construtoras instalando cabos de alumínio em diversas áreas de novas obras, sem considerar a demanda real de cada ponto. Por se tratar de um material de qualidade inferior, isso gera riscos significativos à segurança”, alerta Santana.

“O Inmetro, principal órgão regulador, enfrenta dificuldades para ampliar suas ações. As inspeções realizadas por organismos certificadores precisam ser notificadas com cinco dias de antecedência, o que permite que fabricantes burlem auditorias”, destaca Santana.

Ele cita o caso recente de uma consumidora que contratou uma construtora para reformar sua casa. A empresa instalou fios de alumínio em toda a ligação entre a rua e a residência, mesmo sabendo que o imóvel teria alta carga elétrica, com quatro aparelhos de ar-condicionado, além de fogão, forno, coifa e chuveiros elétricos.

Resultado: “A construtora iniciou a instalação corretamente, usando cobre, mas no meio do trajeto fez uma emenda para alumínio, mascarando a economia com material mais barato. Essa prática é de extrema irresponsabilidade e pode ser caracterizada até mesmo como crime”, reforça Santana.

Para especialistas, a saída passa por três frentes principais:

  1. Fiscalização mais rígida, com punições efetivas;
  2. Inspeção periódica das instalações elétricas;
  3. Educação do consumidor, que precisa aprender a reconhecer e exigir produtos certificados.

 

“Se a consumidora tivesse conhecimento sobre o assunto, fiscalizaria sua própria obra e exigiria cabos de qualidade, evitando problemas futuros”, observa Santana. As normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), como a NBR 5410 (instalações elétricas de baixa tensão) e a NBR 14039 (alta tensão), são claras quanto à segurança elétrica. Na prática, porém, muitas vezes são ignoradas em nome da redução imediata de custos, o que acaba expondo pessoas, patrimônios e todo o sistema elétrico a riscos desnecessários.

Redação

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Formado em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e pós-graduado em Globalização e Cultura pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Iniciou a carreira em 1997, na rádio Trianon-AM. Como repórter, atuou nas redações do WebMotors e d’O Estado de S. Paulo. Foi assessor de imprensa da Yamaha Motor e Mitsubishi Motor. Em agências, fez atendimento à imprensa para empresas como: Jeep, Goodyear, Marfrig Global Foods, SulAmérica e Messer Gases. Sempre apaixonado por transição energética e mobilidade, criou o Eletric Day, blog especializado em notícias do segmento de energia.

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