O Departamento de Estado norte-americano anunciou um acordo entre empresas dos Estados Unidos e do Paraguai para construir um centro de computação de alto desempenho e inteligência artificial alimentado pela energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu. A parceria envolve a empresa norte-americana Crusoe e a paraguaia Araico. O objetivo é explorar a competitividade energética da região fronteiriça.
O principal atrativo para a instalação do projeto é o baixo custo da eletricidade no Paraguai, gerada pela força da água de Itaipu. O preço médio da eletricidade para empresas no país foi de US$ 0,047 por quilowatt-hora entre 2023 e 2026, enquanto no Brasil ficou em US$ 0,134, conforme dados da GlobalPetrolPrices.
Brasil não perde só os brasileiros para o Paraguai
A fundadora da Frontexa, Suelen Raizer, afirma que o anúncio reforça a atratividade do Paraguai para investidores estrangeiros. Segundo a especialista, o país começa a atrair projetos intensivos em tecnologia, além das indústrias tradicionais.
O projeto tem previsão de iniciar a operação em meados de 2027, com capacidade inicial de 106 megawatts e potencial para alcançar 280 megawatts no longo prazo. A iniciativa pode aumentar a utilização interna da energia paraguaia e reduzir o excedente atualmente exportado para o Brasil, conforme o Tratado de Itaipu.
Raizer destaca que o assunto exige cautela porque ainda não existem estimativas oficiais sobre eventuais impactos na oferta ou na tarifa. A usina binacional garante a divisão igualitária da produção, e o Paraguai tem o direito de adquirir a parcela não utilizada pelo Brasil.
Outras vantagens do Paraguai
Além da energia barata, o país enfrenta desafios de infraestrutura que exigem atenção dos investidores. O Paraguai possui grande disponibilidade de geração hidrelétrica, mas ainda existem gargalos na transmissão, distribuição e capacidade de conexão de novos empreendimentos.
A especialista explica que um data center pode estimular melhorias específicas na rede, mas também aumenta a demanda sobre o sistema elétrico local. Por isso, a viabilidade de um projeto internacional depende de logística, fornecedores e disponibilidade de trabalhadores qualificados.
Além da energia barata, o Paraguai atrai empresas brasileiras devido a incentivos fiscais, menor custo de mão de obra e burocracia reduzida. O regime de maquila, que tributa em 1% o valor agregado ou a fatura de exportação, registrou crescimento expressivo nas exportações nos primeiros nove meses do ano.
Crescimento da indústria no país vizinho
Setores como têxtil, alimentício, de plásticos e de autopeças têm ampliado atividades no país vizinho. A fundadora da Frontexa aponta que o movimento representa uma reorganização das cadeias produtivas no Mercosul, exemplificada por marcas como a Lupo, que expandiu operações sem fechar unidades no Brasil.
O objetivo das empresas brasileiras ao expandir operações para o território paraguaio consiste em complementar estruturas produtivas e melhorar a competitividade frente ao mercado internacional.
“O anúncio demonstra que a competitividade energética do Paraguai começa a atrair projetos intensivos em tecnologia, além das indústrias tradicionais”, afirma Raizer.
