A eletrificação da economia, impulsionada pela expansão das fontes renováveis, deve ampliar significativamente a demanda por alumínio no Brasil. Presente em meios de transporte, equipamentos eletrônicos, construção civil e redes de energia, o metal desempenha papel central em setores vitais.
Dados da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) indicam que o consumo doméstico de produtos transformados atingiu 1,88 milhão de toneladas em 2025. Apesar disso, o consumo per capita brasileiro é de 8,8 quilos por habitante, patamar bem abaixo da média global de 13,3 quilos.
O contraste torna-se ainda mais evidente diante das projeções internacionais: o International Aluminium Institute (IAI) estima um crescimento de cerca de 40% na demanda global pelo metal até 2030, impulsionado sobretudo pelos setores de energia, transporte e construção.
Brasil detém a quarta maior reserva mundial de bauxita
Ao potencial de crescimento do mercado interno, somam-se condições estruturais favoráveis no país: o Brasil detém a quarta maior reserva mundial de bauxita, minério-base do alumínio, e dispõe de uma cadeia produtiva integrada que abrange da mineração à transformação e reciclagem. Essa estrutura garante capacidade para acompanhar a expansão da demanda em setores estratégicos.
“O alumínio reúne características muito alinhadas às necessidades de uma economia de baixo carbono: leveza, durabilidade, desempenho técnico e, especialmente, a possibilidade de ser reciclado infinitamente sem perda de suas propriedades essenciais”, destaca Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL.
Processo de reciclagem consome cerca de 95% menos energia do que na produção
A circularidade representa um dos principais diferenciais competitivos do metal. O processo de reciclagem consome cerca de 95% menos energia do que a produção primária. No Brasil, 54% do volume consumido em 2025 foi proveniente de alumínio reciclado, permitindo suprir parte do crescimento da demanda com menor consumo energético e mantendo o recurso em constante circulação.
“O papel do alumínio vai muito além da sua própria pegada de carbono. Ele é um insumo estratégico para setores fundamentais da transição energética e da modernização da infraestrutura. Temos uma dupla contribuição: ao mesmo tempo em que a cadeia trabalha continuamente para reduzir suas próprias emissões, fornece um material essencial para que outros setores também avancem em seus processos de descarbonização”, conclui Janaina Donas.