Fábrica de suco de laranja usará bagaço para ter energia

A multinacional do agronegócio Louis Dreyfus Company (LDC) começou a construir uma usina de biogás. A unidade aproveitará resíduos do processamento de suco de laranja. Com 200 mil m² de área, em Bebedouro (SP), a instalação será uma das maiores do mundo.

O projeto visa resolver um dos maiores desafios ambientais do citrícola, o descarte do efluente líquido gerado na lavagem e na extração. Esse resíduo apresenta alta carga orgânica e forte acidez, características que dificultam o tratamento por métodos convencionais.

A nova planta terá capacidade para tratar cerca de 400 m³ de efluente bruto por hora. Em capacidade máxima, a expectativa é gerar mais de 50 mil m³ de biogás bruto por dia, o equivalente a aproximadamente 7 milhões de m³ por ano. O biogás purificado substituirá o gás natural fóssil hoje utilizado nas caldeiras de aquecimento industrial da fábrica.

De acordo com estimativas da LDC, a substituição pelo biometano de produção própria deve reduzir em mais de 20% as emissões diretas de carbono do complexo de sucos, além de reduzir pela metade os custos com combustível da unidade.

Tecnologia bacteriana desenvolvida para superar a acidez do resíduo

O principal obstáculo técnico do projeto estava relacionado à composição do efluente cítrico, que contém compostos antimicrobianos provenientes da casca da fruta e apresenta acidez elevada, fatores que normalmente inibem o funcionamento de digestores anaeróbios convencionais.

Para contornar esse problema, equipes de engenharia da empresa, em parceria com especialistas em biotecnologia da América Latina, desenvolveram um inóculo microbiano específico, capaz de digerir os açúcares e ácidos orgânicos presentes no efluente sem a presença de oxigênio.

O empreendimento também incorpora um sistema de circuito fechado para preservação de recursos hídricos. Toda a água utilizada no processo passa por purificação antes de retornar ao Rio Paiol. Já o material sólido resultante da digestão bacteriana será processado e destinado a agricultores da região como fertilizante orgânico.

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